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Vagner Araújo

O Rio Grande do Norte na rota do acordo tarifário com os Estados Unidos

Confira a coluna de Vagner Araújo desta terça-feira 29
Vagner Araújo
29/07/2025 | 04:01

O Brasil possui um trunfo pouco explorado quando o assunto é o novo cenário geopolítico dos minerais estratégicos: as chamadas terras raras, conjunto de 17 elementos químicos essenciais à transição energética, à indústria de alta tecnologia e, cada vez mais, à segurança nacional das grandes potências.

Em recente reunião com setores privados brasileiros e com dirigentes do Instituto Brasileiro de Mineração, o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Rafael Escobar, foi claro ao manifestar o interesse do seu país por essas riquezas, em especial o lítio.

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Foto: Fiern

Com a eletrificação da frota mundial de veículos e a corrida por tecnologias limpas, o lítio passou a ocupar papel central na economia global. Baterias de longa duração, sistemas de armazenamento de energia e até equipamentos militares dependem cada vez mais desse elemento. Hoje, o Brasil é o segundo maior detentor de reservas de terras raras do mundo — atrás apenas da China, cuja supremacia na produção desses minerais preocupa diretamente os Estados Unidos.

Essa dependência de um adversário geopolítico direto é vista por especialistas como a chave para que os norte-americanos acelerem entendimentos bilaterais com o Brasil, inclusive uma possível solução diplomática para o atual conflito tarifário entre os dois países. E aqui é que entra o Rio Grande do Norte com um papel protagonista.

Pouco se divulga, mas nosso estado abriga uma das maiores reservas brasileiras de lítio, situada na Província Pegmatítica da Borborema, na região de Currais Novos. Ali, a mineradora Aura já extrai ouro, mas o potencial para expansão é imenso. No entanto, essa riqueza precisa ser tratada com a seriedade e a visão estratégica que merece.

Não podemos nos limitar à condição de fornecedores de matéria-prima bruta. É fundamental que o governo estadual, universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo unam esforços para criar uma cadeia produtiva local. Precisamos de centros de pesquisa, fábricas e parcerias internacionais que permitam a produção de baterias e tecnologias aqui mesmo, em solo potiguar. Somente assim, estaremos verdadeiramente inseridos na nova economia verde e, mais importante, desenvolvendo a economia do nosso estado com criação de oportunidades e geração de receitas públicas.

Se o mundo quer o nosso lítio, que ele vá com valor agregado. Em forma de produto acabado como baterias ou outros componentes fabricados aqui. O Rio Grande do Norte pode — e deve — ser protagonista da nova indústria global. Basta querer. E saber agir.