O Governo Lula III enfrenta agora, no início de março, seu pior momento de avaliação popular de toda a gestão.
Em fevereiro do ano passado, logo após o assumir o governo, o presidente Lula (PT) tinha, numa pesquisa Genial/Quaest, 56% de aprovação, contra 28% de desaprovação. Ou seja, naquela altura, ele tinha mais pessoas aprovando o seu governo do que o percentual que votou nele nas eleições de 2022. Talvez a causa para isso fosse o otimismo do brasileiro, desejando que coisas dessem certo, mesmo a fatia que não era simpatizante ideológica dele.

Entre fevereiro e agosto de 2023, Lula continuou crescendo na aprovação. Mas, desde então, percebe-se um declínio acentuado na aprovação do governo. Hoje, a taxa de aprovação está em 51%, contra 46% de desaprovação. Ficou muito estreito o saldo positivo para o governo neste momento.
“A verdade mesmo, e que você talvez vai concordar comigo, é que Lula não está entregando o que prometeu em 2022 ao priorizar agenda no exterior”
Parte da imprensa está indo na conversa de alguns ministros e dizem que a queda na aprovação foi motivada por declarações do presidente sobre a guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Como Lula ficou nitidamente contra Israel e os evangélicos são mais simpatizantes do governo israelense, houve um decréscimo na aprovação nesse público que influenciou no todo.
É verdade que isso acontece, mas a maior verdade mesmo, e que você talvez vai concordar comigo, é que Lula não está entregando o que prometeu em 2022. O que parece é que Lula está desejando fazer na Presidência da República é pavimentar o caminho para conquistar um Prêmio Nobel da Paz ou tentar ser secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) no futuro.
Lula só cuida mesmo da vida internacional. Se mete em tudo o que é desarranjo pelo mundo. Onde houver uma guerra, um conflito, ele está lá para opinar, indo inclusive, muitas vezes, contra o que pensa a maioria dos brasileiros. Certamente a maioria dos brasileiros não concorda que a eleição na Venezuela possa ser legítima, como Lula quer dizer. O regime de Nicolás Maduro, por exemplo, proibiu a maior líder da oposição de ser candidata. Por aí é possível notar como vai ser ilegítimo o resultado da eleição.
Se Lula começar a entregar mais o que prometeu em 2022 e se não ficar tão dependente do desastre que acontece com o ex-presidente Jair Bolsonaro, pode melhorar a avaliação nos próximos meses. Assim, pode até voltar a sorrir mais em Brasília. E menos em Caracas.