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Diógenes Dantas

O arranjo político de Ezequiel Ferreira

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quarta-feira 4
Diógenes Dantas
04/02/2026 | 05:14

A abertura do ano legislativo deu pano para manga. Pela primeira vez, o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira de Souza, se pronunciou publicamente sobre a possibilidade de eleição indireta para governador, em abril.

Aos jornalistas, começou dizendo o óbvio:

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O arranjo político de Ezequiel Ferreira - Foto: Assessoria de Comunicação / Assembleia Legislativa

— A eleição indireta só existe se houver vacância. Não houve vacância e ninguém tem a certeza de que haverá — afirmou.

Se Fátima Bezerra realmente largar o governo e o vice-governador também “picar a mula”, Ezequiel já traçou o roteiro:

— A Assembleia elaborará um projeto de lei com as regras da eleição indireta, que dependerá de sanção do Executivo antes da votação. Os 24 deputados votarão em chapa com governador e vice, podendo concorrer qualquer filiado a partido, com mais de 35 anos e conduta ilibada.

Ezequiel ainda disse duas coisas que me chamaram a atenção:

— A eleição se daria aqui na Assembleia, com voto aberto. Eu já defini que o voto será aberto — afirmou o presidente do Legislativo potiguar.

Em outro trecho das declarações à imprensa, o deputado admitiu que pode assumir provisoriamente o governo estadual:

— Ou assumo eu para fazer a eleição, ou assume o presidente do Tribunal de Justiça para fazer a eleição. Mas tudo isso nós estamos em conjectura. Porque não existe a vacância ainda.

A meu ver, Ezequiel presidirá o pleito indireto, sendo peça fundamental na definição do governador-tampão. De preferência, algum nome do seu agrado.

Nesse cenário, o presidente da Assembleia Legislativa não fará todas as vontades da governadora.

Cabe perguntar: o PT aceitará qualquer arranjo para garantir a pré-candidatura de Fátima ao Senado?

Mandem cartas para o redator.

Comigo, não!

Ibanez Monteiro, presidente do Tribunal de Justiça, conversou longamente com deputados na sessão de abertura do ano legislativo. Parecia pouco à vontade com a possibilidade de ter de presidir uma eleição indireta. Seu olhar para o plenário da Assembleia não era apenas de visitante. Indagado por jornalistas, não quis conversa.

Forró…

Guilherme Saldanha, secretário estadual de Agricultura, entrou na dança do mandato-tampão. Seu nome circulou ontem, na reabertura dos trabalhos da Assembleia, como opção para agradar gregos e troianos. Guilherme é da confiança da governadora Fátima Bezerra e próximo de Ezequiel Ferreira.

…do muído

A coluna entrou em contato com Guilherme Saldanha para sentir-lhe o pulso. Antes de responder, deu uma risada no estilo digital:

— Kkkkkkk.Careca do INSS

Em seguida, completou:

— Isso é “muído” de jornalista.

Pedra no sapato

José Dias voltou a cobrar o governo pelo não pagamento de emendas impositivas. Segundo ele, Fátima Bezerra deixou de pagar R$ 1,7 milhão em emendas no ano passado, cerca de 40% do total, mesmo após decisão judicial com trânsito em julgado.

— Estamos diante de um descumprimento de determinação judicial — afirmou o deputado do PL.

Careca do INSS

Com a volta do Congresso, a CPMI do INSS põe lenha na polarização. De um lado, os governistas desejam convocar o senador Flávio Bolsonaro para esclarecer um possível vínculo com Antônio Carlos Antunes, o Careca. Pelo mesmo motivo, a oposição exige o depoimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Babá

Babá Pereira (Femurn) acompanhava ontem Álvaro Dias em visita ao senador Rogério Marinho, em Brasília. Das duas, uma: ou Babá ocupará a vice de Álvaro na disputa pelo governo, ou será o companheiro de chapa de Styvenson Valentim ao Senado. Com o aval de Rogério, claro.