Precisamos iniciar a observação de que até nossa comida tem relação com as mudanças climáticas, que vêm assustando o mundo, o Brasil e também a Região Metropolitana de Natal. Ligada ao desmatamento, a produção de alimentos no Brasil concentra quase 74% (73,7%) das emissões de gases de efeito-estufa do País. Desse total, a maior parte (78%) é gerada pela cadeia da carne bovina. Os dados são do Observatório do Clima.
As consequências das mudanças climáticas incluem secas intensas, escassez de água, incêndios severos, aumento do nível do mar, inundações, tempestades catastróficas e declínio da biodiversidade, entre outros. Um estudo mostra que a indústria de alimentos é um dos setores que mais emitem gases do efeito estufa. Para se ter noção, vence até o segmento de transporte, incluindo automóveis.

Mas, o desmatamento é o grande vilão das emissões de carbono. Boa parte das áreas desmatadas são convertidas em áreas de pastagem e plantio. Um grande emissor dos sistemas alimentares é o próprio setor agropecuário. Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (Seeg), destacam-se as emissões geradas no desmatamento para conversão de uso da terra para áreas agrícolas e pastagens, as queimadas dos resíduos da vegetação e ainda as emissões de carbono orgânico do solo, após a conversão para áreas agrícolas ou pastagem.
Embora o desmatamento pese na conta das emissões dos sistemas alimentares, boa parte dele não chega no prato do brasileiro e pode se tornar terra improdutiva, que alimenta a grilagem. O consumidor precisa entender sobre mudanças climáticas. Ao contrário das originais, vindas dos animais, as proteínas vegetais e as proteínas baseadas na fermentação têm uma baixa emissão de dióxido de carbono (CO2) e requerem muito pouca água e uso da terra. Mas a transição para alimentos com baixa emissão de gases de efeito estufa só resolve parte da crise. Nosso planeta ainda está sendo sufocado com o excesso de dióxido de carbono no ar.
A biologia sintética, no entanto, propõe uma solução: é possível transformar o CO2 em uma nutrição deliciosa e sustentável. As tecnologias de mitigação das mudanças climáticas são críticas para salvar nosso planeta, mas uma grande solução nunca terá sucesso se não for economicamente viável.