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Vagner Araujo

Gestão de riscos: o antídoto contra obras paradas e desperdício do dinheiro público

Confira o artigo de Vagner Araujo desta quinta-feira 24
Vagner Araujo
24/04/2025 | 07:20

Certa vez, durante uma palestra, fui perguntado: “O que é gestão de riscos?”. Respondi com um exemplo simples: é o que uma mãe faz, instintivamente, ao levar seus filhos a uma praça ou praia. Ela “escaneia” o ambiente, identifica perigos – uma rua próxima, um local sujo, um obstáculo pontiagudo – e, a partir disso, orienta a criança: “não vá para lá”, “cuidado com aquilo”. Isso é um plano completo de gestão de riscos: mapeamento, análise de impactos, medidas de prevenção e correção.

Na gestão pública, sobretudo em obras e projetos, o princípio é o mesmo. Antes de iniciar qualquer ação, o gestor deve se perguntar: ‘o que pode dar errado neste projeto? A resposta a essa pergunta é a base da matriz de riscos, que mapeia possíveis problemas, avalia suas probabilidades e impactos, e define como preveni-los ou corrigi-los. Simples assim.

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Obras - Foto ilustrativa / José Aldenir / AGORA RN

Infelizmente, ainda falta ao setor público – especialmente em prefeituras de pequeno e médio porte – uma cultura, mínima que seja, de gestão de riscos. Isso explica por que o Brasil se transformou em um cemitério de obras inacabadas: escolas paradas por falta de recursos, creches abandonadas porque o terreno não estava regularizado, postos de saúde que nunca funcionaram por problemas com a licitação. Tudo isso era previsível. E se era previsível, era evitável.

Nesse processo, é essencial ouvir os “pessimistas de plantão” – os que lembram o que já deu errado em projetos anteriores. A gestão de riscos exige experiência, análise de histórico e uma dose de realismo. Mas também exige equilíbrio e bom senso: cada risco deve ser mensurado com critério, e as decisões precisam ser guiadas por dados e planejamento.

Construir uma escola, por exemplo, exige prever riscos: atrasos no projeto, pendências na posse do terreno, licitação judicializada, empresa incapaz de executar, repasses atrasados, chuvas durante a obra. Tudo isso pode — e deve — estar no radar antes da primeira pá ser fincada no chão.

Mais que uma exigência legal – (Lei 14.133/2021) –, a gestão de riscos é uma necessidade para qualquer gestor que pretenda entregar resultados. É a diferença entre lugares que conseguem realizar grandes obras daqueles que ficam só em anúncios e intenções. Que só acumulam fracassos.

Governar é prever. Prever é gerir riscos. E um gestor responsável não pode mais ignorar isso. Incorporar a gestão de riscos como prática simples e permanente é o caminho para evitar desperdícios, garantir entregas e restaurar a confiança da população na gestão pública.