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Michael Charles

Eleições: Daqui a um mês, o jogo começa. Seu time está pronto?

Confira o artigo de Michael Charles desta sexta-feira 17
Michael Charles
17/07/2026 | 05:32

Falta um mês para o início oficial da campanha eleitoral. Parece muito tempo. Não é. No futebol, ninguém monta um time na semana da decisão. Nas eleições, também não deveria ser assim. As grandes competições apenas tornam visível aquilo que foi construído muito antes do primeiro apito.

Durante as últimas semanas, acompanhamos seleções favoritas confirmarem expectativas, outras decepcionarem e equipes menos badaladas surpreenderem o mundo. Em comum, um ensinamento: o resultado não nasce no dia do jogo. Ele é consequência de meses, às vezes anos, de preparação.

URio Grande do Nortea foto Tânia Rêgo ABr
Eleições: Daqui a um mês, o jogo começa. Seu time está pronto? - Foto: Tânia Rêgo/ABr

Daqui a um mês, terá início oficialmente a campanha eleitoral. E a pergunta que cada candidato deveria fazer não é “o que vou fazer quando a campanha começar?”, mas sim: “o que construí até aqui para quando ela começar?”

Assim como no futebol, campanhas eleitorais são competições de curta duração. O tempo para corrigir erros é pequeno. Quem entra em campo sem identidade, sem entrosamento e sem estratégia dificilmente consegue recuperar terreno enquanto a disputa acontece. Até aqui, esta competição internacional já revelou alguns princípios que servem perfeitamente para a política.

O primeiro é que o entrosamento precede o desempenho. Equipes que parecem jogar naturalmente, na verdade, passaram meses construindo confiança, comunicação e funções bem definidas. Em campanhas, acontece o mesmo. Coordenação, comunicação, agenda, mobilização e presença digital precisam funcionar como um único organismo.

O segundo princípio é que ninguém deve subestimar um adversário organizado. O favoritismo ajuda, mas não vence eleição. Disciplina, método e execução costumam equilibrar disputas que pareciam decididas.

O terceiro é que liderar também significa tomar decisões difíceis na hora certa. Em toda competição chega o momento de mudar uma estratégia, substituir uma peça ou rever prioridades. Esperar demais costuma custar caro.

Também aprendemos que a reputação entra em campo antes da bola. Algumas equipes carregam confiança antes mesmo do início da partida. Na política, acontece o mesmo. A imagem construída durante anos influencia a forma como cada proposta será recebida pelo eleitor.

Por fim, talvez a maior lição seja esta: a pressão não cria competência. Ela revela a preparação.

Quando a campanha começar, não haverá tempo para construir aquilo que deveria ter sido organizado meses antes. O ritmo será intenso, as decisões precisarão ser rápidas e cada erro terá consequências maiores.

Daqui a um mês, o jogo começa. A pergunta não é quem está mais motivado.

É quem já trabalhou para chegar preparado. Porque grandes competições não premiam quem promete estar pronto. Premiam quem já entra em campo preparado.