Um observador astuto andou me dizendo que a situação no PT potiguar está de “vaca não reconhecer bezerro”.
De um lado, a governadora Fátima Bezerra reafirma que vai renunciar para disputar uma vaga no Senado — seu desejo ardente.

De outro, um grupo mais pragmático — com os pés no chão — ainda não enxerga condições políticas para que Fátima deixe o governo sem entregar a cadeira a um adversário.
O bloco que defende a pré-candidatura ao Senado — capitaneado por Raimundo Alves — aposta que o “deus Lula” salvará todos, com um arrastão de votos pelo Nordeste afora.
Já os realistas — que evitam mostrar o rosto à luz do dia — falam em “suicídio político” caso o PT deixe o governo nas mãos da oposição. Essa turma fez as contas e concluiu que Fátima não teria votos suficientes na Assembleia Legislativa para eleger Cadu Xavier ou Francisco do PT como governador-tampão.
A renúncia pode derrubar um verdadeiro castelo de cartas — inviabilizando a própria Fátima ao Senado e prejudicando as nominatas para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. São milhares de votos em jogo sob a influência do PT.
Soube ainda que o PT nacional — com Edinho Silva, Gleisi Hoffmann e até o próprio Lula — tem questionado por que o diretório estadual, sob o comando de Fátima, perdeu aliados do centro, notadamente lideranças do PSD e do MDB.
Em público, o comando petista reafirma a importância da pré-candidatura da governadora dentro da estratégia de ampliar a bancada no Senado.
Nos bastidores, porém, a preocupação é com a montagem do palanque do próprio Lula — que não pode desperdiçar votos em nenhum estado.
Essa conversa vem ganhando corpo desde a comemoração dos 46 anos do PT, em Salvador, no início de fevereiro.
Só o desejo de Fátima não basta.
Regras de transição
Na véspera do julgamento da liminar de Flávio Dino, o STF e a cúpula do Congresso firmaram um acordo para estabelecer regras de transição que limitem o pagamento de “penduricalhos” nos Três Poderes. A proposta foi definida em reunião no gabinete da Presidência da Corte, com a participação de Edson Fachin (STF), Hugo Motta (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado).
Recomposição
De um experiente conhecedor dos bastidores do sistema de Justiça brasileiro:
— Enquanto não houver recomposição do teto do funcionalismo, acho difícil que algo mude. Não será numa simples canetada — a reação será muito forte. Os valores pagos acima do teto cresceram de forma exponencial justamente pela ausência de correção do próprio teto — afirmou a fonte.
Efeito cascata
O jurista acrescenta:
— O governo federal evita a recomposição porque isso implicaria elevar os valores recebidos por aposentados do Judiciário, do Ministério Público e dos demais Poderes — inclusive do Executivo. Seria um efeito cascata com forte impacto nas contas públicas. Os “penduricalhos”, por sua vez, beneficiam apenas quem está na ativa.
Superteto
Eis o número mágico apontado por levantamento das principais entidades representativas do funcionalismo para repor a defasagem do teto: R$ 75 mil.
Uau.
Ato de oração
A missa de sétimo dia pela morte do monsenhor Agnelo Dantas Barreto será celebrada na sexta-feira 27, às 16h, na Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação (antiga Catedral). O ato religioso será presidido por dom João Santos Cardoso, arcebispo de Natal.
Prova de fé
O artista Ranilson Viana disse ontem que assumirá integralmente a recuperação da imagem de Nossa Senhora de Fátima destruída por incêndio na Zona Norte de Natal. Ao que parece, um curto-circuito em uma máquina de solda foi a causa do fogo.