O Rio Grande do Norte é o Estado com a menor proporção de leitores do Brasil, com apenas 33% da população declarando o hábito, segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2024. No cenário nacional, 53% dos entrevistados se consideram “não leitores”, enquanto 47% afirmam ler livros — índice inferior ao registrado em 2019, quando os leitores eram 52% da população.
O levantamento ouviu 5.504 pessoas, alfabetizadas ou não, em 208 municípios brasileiros, por meio de entrevistas domiciliares. Os dados também mostram desigualdades regionais: o Nordeste apresenta o menor percentual de leitores, com queda de 48% em 2019 para 43% em 2024, enquanto a região Sul concentra a maior incidência, com 53%.

A pesquisa aponta ainda diferenças por gênero e faixa etária. As mulheres lideram o hábito de leitura, somando cerca de 50 milhões de leitoras no país, contra 43 milhões de homens. Entre os grupos etários, apenas as faixas de 11 a 13 anos e de pessoas com mais de 70 anos não registraram queda no número de leitores.
Parte do acesso à literatura ocorre por meios digitais. De acordo com o estudo, 30% dos entrevistados leem livros pela internet e 28% utilizam a rede para buscar informações sobre obras, autores e lançamentos. Em 2024, 38% dos brasileiros tiveram contato com a literatura em formatos digitais, como e-books e audiobooks.
Apesar dos índices, iniciativas locais buscam estimular a leitura no Rio Grande do Norte. Segundo o autor e editor José Correia, da Caravela Selo Cultural, há um conjunto de ações em andamento no Estado. “Podemos citar os Clubes de Leitura Páginas Vividas, Banquete de Livros, Lendo Junto, do TRT-RN, Entre Páginas, de Leitura do Rock, Nobel de Literatura, bem como entidades que atuam diretamente com projetos de produção literária, como o Casarão da Poesia, a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins, o TJRN, com o projeto Escritores e Escritoras do Cárcere, além das editoras independentes do estado”.
Correia avalia que o ambiente digital ampliou as formas de acesso e consumo de livros. “Com a possibilidade de produção de livros digitais em múltiplos formatos, ampliou-se também a forma de ler, de conhecer a literatura falada e de associar o ato de ler a outras atividades: é ouvir um audiolivro no aparelho de som do carro, em uma viagem de ônibus, durante caminhadas ou em qualquer outro momento”, disse.
Para ele, o crescimento do digital não representa uma ameaça ao livro físico, mas evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas ao incentivo à leitura. O editor destaca a importância da criação e manutenção de bibliotecas e de ações de formação de leitores, além de apontar diferenças estruturais no mercado editorial. “Enquanto editoras de pequeno ou médio porte, situadas no eixo Sul-Sudeste, produzem, em média, 5 mil, 10 mil ou 15 mil unidades, aqui no Rio Grande do Norte são impressos, em média, 300 exemplares por título, salvo raríssimas exceções”, afirmou.
Plataforma digital gratuita aumenta acervo para 25 mil livros
O Ministério da Educação (MEC) anunciou a expansão do MEC Livros, plataforma gratuita de livros digitais, em comemoração ao Dia Mundial do Livro. A ampliação do acervo eleva de 8 mil para 25 mil as obras disponíveis. Além da ampliação do acervo, a plataforma passará a contar, nos próximos dias, com um novo mecanismo de empréstimo e devolução.
Usuários que tiverem lido ao menos 10% da obra poderão devolvê-la antecipadamente e realizar um novo empréstimo. O mesmo valerá para quem já tiver concluído 90% ou mais do conteúdo e desejar encerrar a leitura antes do prazo. Atualmente, a devolução só pode ser feita após 14 dias, independentemente da conclusão da leitura. É permitido o empréstimo de até duas obras por mês por CPF.
Desde o seu lançamento, há pouco mais de duas semanas, o MEC Livros já atingiu a marca de mais de 586 mil usuários cadastrados e mais de 276 mil obras alugadas. Os livros disponibilizados são nacionais e internacionais, contando com lançamentos e best-sellers, além de obras do acervo do domínio público e de parcerias.
A biblioteca digital foi organizada a partir de critérios que valorizam a diversidade literária, cultural e linguística e conta com uma série de ferramentas voltadas para facilitar a experiência do usuário, como agente de IA para tirar dúvidas e oferecer sugestão de leituras e um painel de acompanhamento das obras acessadas. A plataforma também tem foco na acessibilidade, com opções de ajuste de fonte e contraste, suporte para pessoas com dislexia e compatibilidade com leitores de tela.
O MEC assinou ainda portaria que institui o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) 2026-2036, que estabelece metas para ampliar o número de leitores no País até 2036. Entre os principais objetivos, está aumentar de 47% para 55% a proporção da população com hábito de leitura, além de ampliar o acesso a livros e fortalecer as políticas públicas voltadas à leitura.
O instrumento estratégico é decenal e busca organizar e fomentar iniciativas de promoção ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas no Brasil, fortalecendo a articulação entre ações educacionais e culturais. A primeira versão do PNLL foi instituída em 2006.
Elaborado de forma conjunta pelo MEC e pelo Ministério da Cultura, o novo plano estabelece metas alinhadas às diretrizes da Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), regulamentada por decreto em 2025. Entre os principais objetivos estão ampliar o acesso ao livro em todo o País, incentivar a produção literária nacional e o fortalecimento da cadeia produtiva do livro, bem como apoiar espaços de leitura, em especial bibliotecas públicas, escolares e comunitárias.
Para isso, o texto integra diversas políticas já desenvolvidas pelo Governo do Brasil, como o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), coordenado pelo MEC, responsável pela aquisição e distribuição de obras didáticas, literárias e pedagógicas para estudantes e professores da educação básica da rede pública.
O Programa Nacional do Livro e do Material Didático é a política educacional mais longeva do Brasil, criada em 1937. A iniciativa avalia e disponibiliza obras didáticas, pedagógicas e literárias, entre outros materiais de apoio à prática educativa, de forma regular e gratuita às escolas públicas de educação básica. Por meio do Decreto nº 12.021/2024, o programa foi ampliado para incluir a aquisição de acervos também para bibliotecas públicas e comunitárias – para isso, o MEC investiu R$ 24,5 milhões, alcançando a marca de 4 milhões de livros distribuídos a 4 mil bibliotecas.