Acompanhando as declarações recentes da governadora Fátima Bezerra, fica-se com a impressão de que a eleição indireta para o mandato-tampão, em abril, seria favas contadas.
Peralá, não é bem assim.

Em entrevista à rádio 88 FM (Universitária), Fátima reafirmou sua pré-candidatura ao Senado:
— Eu sou candidata, candidatíssima — disse, convicta.
Mais adiante, afirmou algo incerto na atual conjuntura política:
— O povo confiou ao PT um mandato que vai até 31 de dezembro de 2026, e esse mandato, até esse prazo, está amparado pela Constituição. O PT não fugirá dessa responsabilidade de forma nenhuma — falou, categórica.
Para confirmar, na prática, essa declaração enfática proferida na emissora, a líder petista precisará garantir apoios para eleger o governador-tampão — que, se depender dela, será Cadu Xavier.
Só que Fátima não tem votos suficientes para vencer a parada na Assembleia Legislativa. Sua base está restrita hoje a sete ou oito parlamentares.
Como não há diálogo com o bolsonarismo, a governadora será forçada a buscar apoios na centro-direita.
E quem lidera esse segmento na Assembleia? Quem?
Sim, ele mesmo: Allyson Bezerra, alvo principal da Operação Mederi, que investiga fraudes na saúde.
Desde ontem, quando o caso do prefeito estourou em nível nacional, Allyson vem apanhando tanto do PT — até Fátima tirou uma casquinha — que custa acreditar que haja clima político para um eventual acordo na eleição da Assembleia.
As principais estrelas do PT miraram a eleição estadual de outubro e esqueceram a peleja de abril. A ansiedade de bater no prefeito foi maior do que qualquer estratégia política.
Estou curioso para saber se Allyson Bezerra guarda mágoas.
Alfinetada
De Fátima, sobre as denúncias da Operação Mederi:
— As denúncias são gravíssimas porque apontam para desvio de recursos públicos numa área extremamente sensível, que é a área da saúde — disse a governadora, na 88 FM.
Day after
Um dia após a visita da Polícia Federal, Allyson Bezerra partiu para cima de críticos e adversários com sua principal arma — a comunicação. Para estranheza da imprensa mossoroense, o prefeito amanheceu em Natal, concedendo entrevistas a rádios, blogs e portais de notícia. Repetiu por onde passou:
— Eu nunca recebi, pedi qualquer tipo de vantagem, qualquer tipo de valor — declarou.
Antes tarde do que nunca
Em silêncio num primeiro momento, União Brasil, PP, PSD e MDB divulgaram nota conjunta de solidariedade ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra:
— Reafirmamos nossa confiança na postura do prefeito Allyson, que tem pautado sua gestão pelo compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a responsabilidade com a coisa pública.
Preconceito
Da governadora Fátima Bezerra, na Universitária FM:
— Tem uma parte da elite deste Estado que não suporta ver uma mulher como eu governadora.
Em seguida, detalhou:
— Preconceito de classe, preconceito de gênero, preconceito de orientação sexual, preconceito de toda sorte.
Big Brother
Antes de trocar o União Brasil pelo PSD, Ronaldo Caiado se reuniu com Flávio Bolsonaro na semana passada, sob o olhar atento de um potiguar: Rogério Marinho. O senador participou por videoconferência. Foi o que Caiado contou a Andréia Sadi, no Estúdio I, da GloboNews.