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Coluna

Caminhões a gás natural: de olho na demanda de transição energética

Confira a coluna de Rodrigo Rafael desta terça-feira 23
Rodrigo Rafael
23/07/2024 | 06:00

Vivenciamos um momento em que a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente têm grande destaque. Sabemos que o combustível a diesel é obtido por meio do refino do petróleo bruto. O combustível apresenta grande quantidade de enxofre e é bastante utilizado em caminhões e outros veículos de transporte de carga. Por possuir hidrocarbonetos mais densos do que a gasolina, além de metais pesados em sua composição, o diesel é considerado o combustível que polui mais.

Montadoras como a Scania, que detém 17% do mercado de caminhões no Brasil, incluiu em seu plano de investimentos uma linha de produção de caminhões movidos a gás natural veicular (GNV) e gás natural liquefeito (GNL), em São Paulo. Já a Iveco, que tem participação de 6,8% nas vendas de veículos pesados no país, vai concluir até o fim de 2025 um conjunto de aportes que inclui uma linha de produção de veículos pesados a gás em Minas Gerais.

A descarbonização do setor de transportes requer uma atenção ímpar, dado que se trata do principal consumidor de energia do Brasil. E a aposta das empresas no segmento mira no futuro, no contexto imperativo da transição energética para deter o aquecimento global. A Scania prevê alta de 14% nas vendas de caminhões a gás este ano, chegando a 400 unidades, considerando mercado doméstico e externo. Para 2025, a expectativa é de alta de 25%.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor de transporte correspondeu a 33% da energia consumida no Brasil no ano passado. Os motores a diesel representam 43,4%, enquanto a fatia do gás natural foi de apenas 1,8%. Há anos o domínio dos derivados de petróleo nos caminhões, em especial do óleo diesel, vem sendo desafiado na medida em que outras fontes energéticas e outras tecnologias de motorização caminham no sentido de maior competitividade econômica e ambiental.

O Acordo de Paris estabelece metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e limitação do aquecimento global a 1,5°C em relação ao período pré-industrial. A busca pela redução das emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais no setor de transportes, com impactos positivos sobre meio ambiente e saúde pública, tem se colocado como componente fundamental de políticas ambientais e estratégias governamentais de diversos países, além de ser foco de empresas que, zelosas pelo posicionamento de sua imagem corporativa, adotam compromissos de sustentabilidade.

Rodrigo Rafael, jornalista, Diretor de Representação Institucional da Assembleia Legislativa e tem MBA em Environmental, Social & Governance (ESG) pelo IBMEC/São Paulo.

Caminhões a gás natural / Foto: reprodução
Caminhões a gás natural / Foto: reprodução