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Blog do Agora

A campanha começa no confronto

Confira a coluna Blog do Agora deste sábado 8
Redação
08/08/2026 | 05:25

Até agora, Allyson Bezerra (União), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT) disputaram a partir de territórios controlados. Cada candidato falou para os próprios apoiadores, divulgou vídeos cuidadosamente editados e respondeu aos adversários pelas redes sociais. O primeiro debate entre os postulantes ao Governo do Estado, realizado na noite deste domingo 9 na Band, rompe essa zona de conforto e inaugura uma etapa na qual pergunta, resposta, reação e silêncio passam a ocorrer diante do eleitor.

Não estará em avaliação apenas o domínio sobre segurança, saúde, educação e equilíbrio fiscal. As campanhas também observarão a capacidade emocional dos candidatos para suportar o contraditório. Allyson terá de administrar os ataques decorrentes de sua condição de líder nas pesquisas. Álvaro precisará transformar experiência administrativa em argumento de futuro, enquanto Cadu tentará se apresentar como alternativa competitiva e não apenas como representante da continuidade.

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A campanha começa no confronto - Foto: Instagram / Reprodução // José Aldenir

A disputa de 2026 já demonstrou que existem três campanhas dentro de uma só: a política, a jurídica e a comunicacional. Declarações dadas no estúdio poderão virar representações na Justiça Eleitoral antes mesmo do encerramento do programa. Ao mesmo tempo, cada confronto será recortado, legendado e distribuído nas redes de acordo com o interesse de cada grupo.

Por isso, talvez a audiência da transmissão completa nem seja o fator mais importante. A batalha real continuará nos celulares, onde poucos segundos de hesitação, uma frase ácida ou uma resposta bem construída podem alcançar um público muito maior do que aquele que acompanhou o debate ao vivo.

O encontro não deverá definir a eleição, mas poderá estabelecer os primeiros papéis da campanha: quem ataca, quem se defende, quem consegue impor uma agenda e quem sai do estúdio obrigado a explicar o que disse. A partir dali, as “casinhas” acabam. A campanha começa, de fato, no confronto.

ERRO QUE VIROU COMBUSTÍVEL

O Partido Novo conseguiu que a Justiça Eleitoral derrubasse um vídeo das redes sociais de Allyson Bezerra por entender que a expressão “o povo quer Allyson governador” foi ato de campanha eleitoral antecipada. Seria um resultado político favorável ao grupo de Álvaro Dias, não fosse a extensão dos demais pedidos apresentados na ação. Ao requerer até a suspensão do perfil do candidato — algo que foi negado até agora —, o Novo permitiu que Allyson deslocasse a discussão para uma narrativa de censura e perseguição. Na guerra da comunicação, o exagero do pedido transformou o que seria uma vitória em ativo para o adversário.

TRÊS FORTES, DUAS CADEIRAS

A chapa da Federação União Progressista para a Câmara dos Deputados reúne três parlamentares com mandato: Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria. Os três começam a eleição com bases municipais extensas e potencial para superar a marca dos 100 mil votos, mas as projeções do mundo político apontam maior segurança para apenas duas cadeiras. A consequência poderá ser uma disputa interna tão intensa quanto o confronto com as chapas adversárias.

DESLIZE

O deputado federal Sargento Gonçalves criou uma crise ao mencionar “trabalho na base da compra de votos” durante entrevista à 96 FM. Questionado imediatamente pelo entrevistador, continuou a falar sobre a existência dessa prática na política potiguar. Depois da repercussão, afirmou que não admitiu a compra de votos e que pretendia denunciar uma realidade ainda presente nas eleições. Em época de campanha, cada palavra precisa ser medida.

REVIRAVOLTA

O nome do senador Rogério Marinho circulou intensamente nos bastidores de Brasília como provável candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. A informação chegou a ser tratada como praticamente definida por interlocutores políticos, até que o escolhido foi o deputado alagoano Alfredo Gaspar. A mudança de última hora mostrou que influência na organização da campanha não significa controle sobre as decisões finais da família Bolsonaro.