A eleição para o Governo do Rio Grande do Norte será disputada simultaneamente em diferentes arenas. A força nas ruas continuará indispensável, com comícios, carreatas, reuniões e agendas municipais, mas dividirá espaço com uma batalha cada vez mais sofisticada no marketing, nas redes sociais e na Justiça Eleitoral. As campanhas precisarão demonstrar capacidade de mobilização, controlar a narrativa pública e manter uma estrutura jurídica preparada para reagir aos movimentos dos adversários.
O primeiro grande confronto da disputa atingiu justamente o principal ativo eleitoral de Allyson Bezerra: sua presença digital. A ação apresentada pelo Novo, integrante da coligação de Álvaro Dias, questionou a realização de dois eventos de convenção e pediu a suspensão do perfil do candidato nas redes sociais. Independentemente do resultado jurídico, a iniciativa provocou efeitos políticos imediatos. Allyson transformou o processo em um discurso contra uma suposta tentativa de silenciamento, enquanto seus adversários expuseram a disposição de enfrentar judicialmente sua vantagem na comunicação.

A judicialização tende a ser uma das marcas da eleição. Cada postagem, vídeo, evento ou declaração poderá ser submetido ao exame da legislação eleitoral e convertido em representação. Nesse ambiente, uma ação nunca será apenas jurídica: terá também repercussões políticas e comunicacionais. Uma decisão favorável pode impor limites a um adversário, mas um pedido considerado excessivo também pode oferecer ao alvo a oportunidade de se apresentar como vítima e mobilizar sua base.
Ruas, marketing e tribunais formarão, assim, um mesmo campo de disputa. Ganhará vantagem quem conseguir manter presença territorial, comunicar-se de maneira eficiente e atravessar a campanha sem sofrer derrotas jurídicas capazes de comprometer sua estratégia. No cenário potiguar, não bastará conquistar votos: será necessário disputar diariamente a interpretação dos fatos, responder rapidamente aos ataques e compreender que, em 2026, a eleição também será decidida na batalha pelo controle da narrativa.
BR PRIVATIZADA
O Diário do Nordeste, jornal sediado em Fortaleza, divulgou ontem que há estudos em andamento nos ministérios da Casa Civil e dos Transportes para conceder à iniciativa privada as BRs 101 e 304, inclusive os trechos que cortam o Rio Grande do Norte. Se o projeto for adiante, o operador privado que assumir a concessão ficaria responsável por “serviços de manutenção, conservação, sinalização e atendimento aos usuários”.
SEM SOBRENOME
Cadu Xavier e Samanda Alves foram longe na busca por associar suas imagens com a do presidente Lula. A ata da convenção da federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB) mostra que os nomes escolhidos para a urna foram “Cadu de Lula” e “Samanda de Lula”.
SEM CONSTRANGIMENTO
Carlos Eduardo garante que não se sentiu constrangido com o lançamento da candidatura de Tércio Tinoco ao Senado semanas depois de o União Brasil afirmar que não garantiria recursos para uma eventual candidatura dele. Segundo Carlos, Tércio deve ter aceitado disputar sem verbas do fundo eleitoral. “Se não teve para mim, não vai ter para ele”, disse ontem, no podcast Eleições 2026, da TV Agora RN. Carlos declarou, ainda, que haveria “discriminação” caso o partido destinasse recursos ao vereador após negar apoio financeiro à sua candidatura.
“MEDO” DE ALLYSON
Para Carlos Eduardo, o pedido apresentado pelo Novo para retirar do ar o perfil de Allyson Bezerra (União) no Instagram é uma demonstração de “medo” de Álvaro Dias (PL). “A síntese de tudo isso é medo”, afirmou. “Ele (Álvaro) não tem competência ou não tem serviços prestados para se mostrar na rede social. E quer impedir o nosso candidato, Allyson Bezerra, que tem muito o que mostrar, porque saiu da administração de Mossoró com mais de 80% de aprovação”, declarou o filho de Agnelo Alves.
LULA MULTADO
O presidente Lula (PT) terá de pagar uma multa de R$ 15 mil por ter pedido votos para Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado na eleição de 2026, durante um evento realizado em 19 de maio em São Paulo. Ainda cabe recurso. A punição foi aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) após representação apresentada pelo partido Missão. Na ocasião, o presidente afirmou que o público poderia “um dia, dar voto para as duas”.