Nem sempre uma foto de família guarda apenas a lembrança do dia. Quando o flash bate no olho de uma criança e a pupila devolve um reflexo esbranquiçado, no lugar da cor que se espera ver, aquela imagem pode estar mostrando algo que precisa de médico. O nome do sinal é leucocoria, e ele figura entre os principais sinais do retinoblastoma, tumor maligno que nasce na retina.
É para esse tipo de detalhe que a Casa Durval Paiva vem pedindo atenção, dentro das ações de conscientização a respeito do câncer infantojuvenil. A ideia é que pais, responsáveis, professores e quem mais passa o dia perto de crianças saiba reconhecer o que merece uma consulta.

Entre os tumores que surgem dentro do olho, o retinoblastoma é o mais frequente na infância. Cerca de 95% dos casos são descobertos antes dos cinco anos de idade, com concentração maior por volta dos dois. Pode aparecer em um só olho ou nos dois ao mesmo tempo, e em parte dos casos tem relação com alterações genéticas.
A leucocoria ficou conhecida justamente porque uma fotografia com flash consegue revelá-la. Mas ela não é a única pista. Olhos que desalinham, queixa de dificuldade para enxergar, dor, vermelhidão e inchaço na região ao redor dos olhos entram na mesma lista de coisas que pedem avaliação.
Confirmar ou descartar a suspeita cabe ao oftalmologista, e o exame do fundo do olho pode fazer parte dessa checagem. Há ainda um recurso que costuma passar despercebido pelas famílias: o teste do reflexo vermelho, o popular teste do olhinho, usado para flagrar alterações oculares. Ele deveria integrar o acompanhamento pediátrico de rotina desde os primeiros meses de vida.
A orientação da instituição é direta. Percebeu mudança nos olhos da criança, procure avaliação médica — em vez de esperar para ver se o sinal some sozinho. Quanto mais cedo a investigação começa, maior a chance de identificar a doença em fase inicial e de obter resultado melhor no tratamento.
A Casa Durval Paiva também pede que essas informações circulem entre parentes, professores, profissionais da saúde e outros adultos que convivam com a criança. A aposta da campanha é que esse conhecimento se transforme em uma rede de atenção aos sinais do câncer infantojuvenil. Reparar numa fotografia, notar algo diferente no olhar, perceber que a criança não enxerga bem: qualquer um desses gestos pode ser o começo do caminho até o atendimento. Para a instituição, quanto mais gente souber o que observar, mais famílias chegarão ao consultório no momento certo.