O delegado de Polícia Federal Álex Rezende pediu autorização à Justiça Federal, no Paraná, para que o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) preste depoimentos em dois inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Dirceu está preso desde agosto de 2015 na Operação Lava Jato.
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Um dos inquéritos, instaurado no fim do ano passado, investiga o deputado Zeca Dirceu (PT), filho do ex-ministro. O procedimento está em segredo de Justiça.

O outro inquérito tem como investigado o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e supostas vantagens indevidas em Furnas. A relatoria é do ministro Gilmar Mendes.
A investigação é um dos desdobramentos da Lava Jato e foi aberta a partir da delação do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT/MS). O inquérito apura suposta corrupção e lavagem de dinheiro de Aécio.
Em ofício à 12.ª Vara Federal, de Curitiba, o delegado apontou ‘a necessidade da colheita de declarações de José Dirceu de Oliveira Silva’ em duas investigações. Álex Rezende sugeriu que o depoimento seja colhido em 18 de abril, a partir das 14hs, na Superintendência da Polícia Federal, no Paraná.
“Visando instruir os autos do Inquérito n.º 4322-STF, referente ao RE 80/2016-GINQ/STF/DICOR/PF, e do Inquérito n.º 4244-STF, referente ao RE 40/2016-GINQ/STF/DICOR/PF que investigam pessoas com prerrogativa de foro no Supremo Tribunal Federal, e considerando a necessidade da colheita de declarações de José Dirceu de Oliveira e Silva no interesse destas duas investigações, no dia 18/04/2017, terça-feira, a partir das 14h na Superintendência da Polícia Federal no Paraná, solicito a Vossa Excelência autorização para que o mesmo possa ser conduzido por policiais federais até as dependências da SR/PR, para ser ouvido nos inquéritos acima mencionados, tendo em vista que o mesmo cumpre prisão na Colônica Médico-Penal”, escreveu o delegado.
Dirceu está preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. O ex-ministro tem duas condenações na Lava Jato e a pena mais alta imposta pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações na 1.ª instância.
Em um processo, o ex-ministro pegou 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema Petrobrás desmontado pela operação.
No outro processo, Dirceu foi sentenciado a 11 anos e três meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no esquema de corrupção na Petrobrás.
COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALBERTO TORON, QUE DEFENDE O SENADOR AÉCIO NEVES
“Desconhecemos as razões das oitivas de adversários políticos do senador Aécio Neves, como José Dirceu e Silvio Pereira, já amplamente noticiadas pela imprensa, inclusive pelo O Estado de S. Paulo, mas consideramos que, como nunca houve fatos irregulares da parte do senador, quanto mais pessoas ouvidas com o compromisso da verdade, melhor os fatos serão esclarecidos.” Alberto Toron.
COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO KAKAY, QUE DEFENDE ZECA DIRCEU
“Esse inquérito é uma coisa um pouco teratológica. Foram dois depósitos de R$ 10 mil na campanha do Zeca Dirceu, de pessoas que ele não conhecia, que ele não tinha contato. Abriram o inquérito sem nenhum tipo de fundamento. Talvez seja o inquérito de toda a Lava Jato mais fraco, mais frágil que eu vi. As pessoas que depositaram não conhecem o Zeca, ele nunca teve contato com a Petrobrás. Zero de contato. Ele é filho do Zé Dirceu, um cara estigmatizado hoje. Esses dois depósitos não foram feito a pedido dele. Tipo de caso que é abuso de autoridade. Movimentaram o Brasil inteiro, fizeram um inquérito gastando uma fortuna para ouvir pessoas sem ter absolutamente nada. Dois empresários, a pedido do Zé depositaram R$ 10 mil na conta. O Zeca Dirceu teve uma campanha super pulverizada, completamente diferente da história do pai dele. O fato de a empresa do Zé Dirceu ter doado R$ 20 milfoi objeto de investigação. É um inquérito de caça às bruxas, sem nenhum fundamento. José Dirceu foi chamado para prestar depoimento por causa disso.”