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Crédito

Governo finaliza linha de crédito de R$ 4 bilhões para entregadores comprarem motocicletas

Programa Move Motos deve beneficiar cerca de 200 mil trabalhadores e segue modelo de financiamento já usado para motoristas de aplicativo
Por O Correio de Hoje
10/06/2026 | 11:43

O governo federal finaliza os detalhes de uma nova linha de crédito destinada à compra de motocicletas por entregadores de aplicativos, iniciativa que poderá movimentar cerca de R$ 4 bilhões em financiamentos e beneficiar aproximadamente 200 mil trabalhadores em todo o País.

Batizado de Move Motos, o programa integra a agenda de ampliação do acesso ao crédito para categorias ligadas à economia de plataformas digitais e deverá seguir modelo semelhante ao já adotado para motoristas de aplicativos, lançado em maio.

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Nova linha deve liberar até R$ 4 bilhões para compra de motocicletas - Foto: Ricardo Stuckert

As discussões envolvem os ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além da Casa Civil e da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Segundo integrantes do governo, a expectativa é que a nova modalidade ofereça financiamentos de aproximadamente R$ 20 mil por beneficiário, com taxa de juros próxima de 12,6% ao ano, percentual semelhante ao praticado na linha destinada aos motoristas de aplicativos.

Os empréstimos deverão contar com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo administrado pelo Banco do Brasil que reduz o risco das instituições financeiras e amplia a capacidade de concessão de crédito.

O governo também avalia a possibilidade de realizar novos aportes no fundo para aumentar o alcance da iniciativa. Outra medida em discussão é a eliminação da exigência de entrada no financiamento, uma demanda considerada relevante por representantes dos entregadores, já que muitos trabalhadores não dispõem de recursos para o pagamento inicial da motocicleta.

A estrutura operacional deverá repetir o modelo utilizado em programas recentes voltados aos trabalhadores de plataformas digitais. Nesse formato, empresas como iFood, 99, Keeta e Rappi realizam a verificação dos critérios de elegibilidade dos participantes, mediante autorização do trabalhador, e repassam as informações ao governo.

A intenção é simplificar o processo de acesso ao financiamento e direcionar os recursos para profissionais que efetivamente utilizam a motocicleta como principal instrumento de trabalho.

O anúncio da nova linha foi antecipado pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, durante reunião ministerial realizada na última semana.

“Temos uma próxima entrega prevista, com essa mesma lógica, que é o Move Motos, com essa mesma lógica de veículos, financiamento para os motociclistas de aplicativos”, afirmou.

A iniciativa amplia uma série de programas de crédito lançados pelo governo nos últimos meses. Além dos financiamentos voltados a motoristas de aplicativos, a administração federal anunciou linhas destinadas a taxistas, caminhoneiros, aquisição de máquinas agrícolas e investimentos ligados à chamada indústria 4.0.

Somados, os programas já divulgados podem alcançar um volume total de aproximadamente R$ 75,2 bilhões em crédito. A ampliação das linhas de financiamento ocorre em um contexto de preparação para o calendário eleitoral de 2026 e tem sido interpretada por setores da oposição como parte de uma estratégia de fortalecimento político do governo junto a categorias profissionais específicas.

Integrantes da equipe econômica rejeitam essa avaliação e argumentam que as medidas fazem parte de uma política contínua de inclusão financeira e estímulo à atividade econômica, desenvolvida desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Do ponto de vista econômico, a iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios dos trabalhadores de aplicativos: o acesso ao crédito para renovação ou aquisição dos veículos utilizados na atividade.

A motocicleta representa o principal ativo produtivo para grande parte dos entregadores. A dificuldade de financiamento, associada ao elevado custo dos juros praticados no mercado tradicional, costuma limitar a capacidade de investimento desses profissionais.

Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram a dimensão do setor. Em 2024, o Brasil registrava cerca de 1,7 milhão de trabalhadores atuando por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços.

Desse total, aproximadamente 964 mil pessoas — o equivalente a 58,3% — exerciam atividades ligadas ao transporte de passageiros. Outros 485 mil trabalhadores, ou 29,3%, atuavam em serviços de entrega, segmento diretamente beneficiado pela nova linha de crédito.

A expectativa do governo é que o programa contribua para renovar parte da frota utilizada pelos entregadores, melhorar as condições de trabalho da categoria e ampliar a formalização do acesso ao crédito.

Os detalhes finais da linha ainda estão sendo definidos, mas a previsão é que o lançamento ocorra nas próximas semanas, ampliando o conjunto de políticas voltadas à chamada economia de plataformas, setor que ganhou relevância crescente no mercado de trabalho brasileiro ao longo da última década.