Motoristas do transporte alternativo realizaram uma paralisação na manhã desta sexta-feira 6, em frente à Prefeitura do Natal, para reivindicar melhores condições de trabalho e mudanças no sistema de transporte. A suspensão temporária do serviço ocorreu das 9h às 11h, segundo a cooperativa responsável pela operação.
De acordo com a Transcoop Natal, a paralisação foi motivada pelas dificuldades enfrentadas pelos permissionários para manter o sistema em funcionamento e também para chamar a atenção do poder público municipal para as demandas da categoria.

Presidente da cooperativa, Edileuza Queiroz afirmou que o protesto vinha sendo discutido há meses. “A gente estava tentando dialogar, ter um bom senso para que esse protesto não acontecesse, e chegou a um ponto que não deu mais para segurar a categoria”.
Segundo ela, os permissionários cobram organização do sistema e medidas que garantam a sustentabilidade do serviço. “Estamos reivindicando que o poder público organize o sistema de transporte, porque os alternativos hoje não têm mais condições de estar rodando do jeito que está carregando só gratuidade [idosos] na cidade”.
Edileuza afirmou que a cooperativa reúne 65 permissionários e que a situação financeira do sistema é considerada crítica. “Não existe possibilidade nenhuma da gente ficar calado, porque eu tenho 65 cooperados, onde eles hoje estão todos com a frota terrível. Precisando trocar, e não tem expectativa de nada”.
A presidente da Transcoop também citou promessas de licitação do transporte e a falta de pagamento da chamada tarifa técnica. “Esperamos uma licitação prometida, que não aconteceu. Precisamos, temos uma tarifa técnica que foi aprovada no Conselho de Transporte, e não chegamos a receber esse dinheiro, onde a Transcoop Natal tem um déficit, um dinheiro para receber R$ 2,9 milhões com o Município, e não recebemos”.
Segundo ela, uma das principais reivindicações é o pagamento de subsídio ou compensação financeira pelas gratuidades. “E agora a gente está reivindicando que queremos que o poder público subsidie, ou dê um aumento na tarifa, ou subsidie o sistema de gratuidade que hoje está deixando a desejar”.

Ela disse que o pagamento da tarifa técnica não ocorre desde a aprovação no Conselho de Transporte. “Desde 2023, quando foi aprovado no Conselho para ser pago essa tarifa”.
De acordo com a dirigente, o sistema alternativo deixa de arrecadar cerca de R$ 600 mil por mês por causa das gratuidades. Ela afirma que os dados são documentados. “Isso já foi tudo oficializado, nós temos ofício provando que todo mês a gente está deixando de arrecadar”.
Edileuza disse que a cooperativa defende a implantação de subsídio público para o sistema. Atualmente, a tarifa paga pelo usuário é de R$ 4,90.
Comportamento dos usuários
A dirigente também citou mudanças no comportamento dos usuários. “Hoje, o usuário que pagava a passagem inteira está andando de moto por aplicativo. Se você for num terminal da gente, Nova Natal, você vai pegar 20 motos lá carregando passageiros a R$ 5. Então o usuário está com pressa de chegar ao seu destino vai de moto”.
Segundo Edileuza, isso tem alterado o perfil de passageiros do sistema. “E nós só ficamos para carregar os idosos, só ficamos idosos na parada”. Ela também afirmou que o reajuste da tarifa para os passageiros não foi aplicado. “E o reajuste da tarifa, que era para ter sido em dezembro também, não teve”.
STTU analisa
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) informou que recebeu as demandas apresentadas pelos operadores do transporte alternativo e afirmou que mantém diálogo com representantes da categoria.
Em nota, o órgão declarou que acompanha as reivindicações relacionadas ao funcionamento do sistema. “A STTU informa que recebeu as demandas apresentadas pela categoria e mantém diálogo permanente com representantes do setor”.
Entre os temas discutidos com os permissionários estão a tarifa técnica e a possibilidade de subsídio ao sistema. “Entre os pontos discutidos estão a tarifa técnica e o subsídio”. A secretaria acrescentou que parte das questões apresentadas pelos operadores está sendo analisada internamente. “Parte dessas questões já se encontra em análise no âmbito da STTU”.