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Política

Moraes diz que políticos sem voto usam STF como ‘escada eleitoral’

Ministro afirma que ataques ao Judiciário têm sido usados como estratégia eleitoral por parlamentares
Por O Correio de Hoje
29/04/2026 | 15:33

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, nesta terça-feira 28, que integrantes da classe política têm recorrido à Corte como forma de ampliar visibilidade pública, especialmente nas redes sociais. Segundo ele, há uma estratégia deliberada de transformar o Supremo em instrumento de projeção eleitoral. “Querem likes”, resumiu.

As declarações ocorreram durante sessão da Primeira Turma do STF que analisava uma denúncia apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer contra o também deputado José Nelto, acusado de injúria e calúnia.

Moraes foto Rosinei Coutinho
Moraes diz que políticos usam STF para ganhar visibilidade nas redes sociais - Foto: Rosinei Coutinho / STF

Durante o julgamento, Moraes avaliou que parlamentares de diferentes correntes ideológicas têm adotado uma postura de confronto público com o objetivo de aumentar o alcance de suas campanhas. “Cada um repercute nas suas redes sociais, cada um tem muitos likes e conseguem elevar o conhecimento público a seus nomes”, afirmou.

Na avaliação do ministro, essa prática passou a atingir diretamente o Supremo e seus membros. “Políticos que não têm voto necessário para atingir as candidaturas que querem acabam querendo ofender o Poder Judiciário, acabam querendo ofender a honra, a dignidade dos membros do Poder Judiciário, utilizando-nos como escada eleitoral”, declarou. Ele ainda mencionou resultados recentes de pesquisas para indicar que essa estratégia não tem surtido o efeito esperado.

As críticas ocorrem em meio a episódios envolvendo pré-candidatos às eleições de 2026. Na semana passada, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, divulgou um vídeo com críticas, em tom de sátira, ao ministro Gilmar Mendes. A repercussão levou Mendes a encaminhar uma notícia-crime pedindo a inclusão de Zema no inquérito das fake news, sob relatoria de Moraes.

Sem citar nomes diretamente, o ministro disse que esse tipo de conduta tem substituído o debate sobre temas centrais da administração pública. “Ao invés de discutir saúde, educação, segurança pública, ao invés de discutir o que fizeram em seus mandatos, querem pegar uma escada numa suposta polarização contra o Supremo Tribunal Federal, não com críticas, mas com agressões verbais”, afirmou.

Para Moraes, o comportamento extrapola os limites do embate político e, em determinadas circunstâncias, poderia ser caracterizado como “assédio moral”.

As críticas ao ministro têm se intensificado após a divulgação de um contrato envolvendo o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A mesma reportagem também revelou a existência de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Moraes no dia da prisão do ex-banqueiro.