A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar para investigar se influenciadores digitais foram remunerados para defender o Banco Master e atacar o Banco Central (BC) nas redes sociais. Caso sejam identificadas irregularidades, a PF poderá instaurar um inquérito policial.
Segundo informações apuradas, ao menos 46 perfis em plataformas digitais participaram de um movimento coordenado de publicações com críticas ao BC e a investigadores envolvidos no caso que trata da tentativa de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Esse comportamento já vinha sendo observado durante o processo de análise da operação pelo órgão regulador, mas se intensificou nos últimos dias, em meio à disputa jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU).

As postagens, de acordo com a apuração, apresentam informações consideradas enviesadas sobre a liquidação do Banco Master e questionam a atuação do Banco Central. A ofensiva digital também passou a atingir o presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de representantes de entidades do sistema financeiro.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que realizou um mapeamento dos ataques e identificou um volume atípico de publicações mencionando a entidade no mês de dezembro. A federação avalia se a movimentação pode ser caracterizada como um ataque coordenado.
Perfis ligados a páginas de entretenimento e humor também publicaram conteúdos relacionados ao caso. Uma agência de marketing digital citada na apuração afirmou que foi procurada para divulgar material sobre o Banco Master, mas negou ter aceitado qualquer proposta e disse que publicações atribuídas a perfis administrados pela empresa foram feitas de forma orgânica, sem remuneração.
O Banco Central tem recebido manifestações públicas de apoio de associações do setor financeiro, após decisões e questionamentos do STF e do TCU sobre a atuação da autoridade monetária no processo de liquidação do Master, concluído em novembro.
Paralelamente, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi intimado a prestar depoimento à Polícia Federal no dia 27 de janeiro, no âmbito das investigações sobre a tentativa de venda da instituição ao BRB. Outros ex-executivos ligados ao banco também tiveram depoimentos agendados.
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