Natal encerra 2025 com a maior taxa de crescimento na construção e reforma de ciclovias entre as capitais brasileiras. Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), a capital potiguar avançou 69,3% na implantação e qualificação de trechos cicloviários ao longo do ano, resultado que a coloca na liderança nacional em ritmo de expansão. Em termos absolutos, porém, Brasília segue como referência, com 75 km de vias pavimentadas dedicadas ao modal.
O avanço ocorre em meio a um cenário de preocupação com a segurança viária. Entre 2020 e 2025, o Rio Grande do Norte registrou 121 mortes envolvendo ciclistas, das quais 23 ocorreram em Natal. Apesar do histórico, a capital alcançou, no último ano, seu menor número de vítimas fatais: apenas três óbitos registrados até outubro de 2025 – um recuo relevante diante da série recente. A Prefeitura atribui a queda a intervenções estruturais, revisão de projetos e adoção de princípios de “Ruas Completas”, que priorizam usuários vulneráveis. Hoje, Natal conta com 113,22 km de infraestrutura cicloviária em operação e projeta a implantação de mais 150 km nos próximos anos.

O diretor do Departamento de Engenharia da STTU, Miguel Trigueiro, afirma que o ano de 2025 representou um salto qualitativo na mobilidade ativa da cidade. Segundo ele, a secretaria avançou na elaboração de estudos, projetos executivos e intervenções que ampliaram a malha cicloviária. As ações incluíram manutenção de trechos existentes, atualização de sinalização horizontal e vertical e abertura de novas conexões. Foram 4,3 km de novas ciclovias e ciclofaixas entregues, distribuídas em quatro eixos urbanos: Rua Jaguarari, Rua São José, Avenida Presidente Café Filho e Avenida Governador Sílvio Pedroza – neste caso, com a implantação de ciclorrota.
Além disso, a STTU ampliou trechos já existentes na Jaguarari e na São José, totalizando 2,9 km adicionais de ciclofaixa. “O foco foi fechar lacunas e permitir maior fluidez entre bairros”, explica Trigueiro, ressaltando que a cidade trabalha para integrar o modal ciclístico à malha urbana de forma contínua.
Com o acúmulo de 23 mortes de ciclistas entre 2021 e 2025, o tema da segurança tornou-se prioridade. Trigueiro afirma que novos projetos passaram a incorporar diretrizes de Ruas Completas e Desenho Universal, com intervenções voltadas à mitigação de riscos. Entre as medidas citadas estão: readequações geométricas das vias, implantação de sinalização padronizada, melhorias de circulação e ampliação de trechos segregados. “Os resultados já aparecem. Reduzimos para três o número de mortes em 2025, o mais baixo da série recente. A meta é seguir diminuindo esses índices ano após ano”, afirma.
A cidade opera hoje 113,22 km de ciclovias e ciclofaixas. A STTU explica que ciclovia é o espaço exclusivo para bicicletas, fisicamente separado da pista de rolamento. Já a ciclofaixa é o espaço pintado na via, compartilhado com outros veículos, mas com prioridade operacional para ciclistas. Além da malha ativa, o município já possui 33,45 km de projetos executivos prontos e trabalha em novos estudos para a próxima etapa de expansão.
Zona Norte será prioridade em projetos estruturantes
Os planos para 2026 preveem um pacote robusto de requalificação viária, com foco na integração da mobilidade ativa ao sistema principal de circulação. Na Zona Norte, pelo menos quatro projetos estão previstos, englobando: criação e ampliação de ciclovias e ciclofaixas, implantação de novos binários, padronização de calçadas acessíveis e intervenções de segurança e desenho urbano. “O objetivo é fortalecer conexões, tornar os deslocamentos mais seguros e ampliar a rede ciclável em regiões de maior crescimento populacional”, afirma Trigueiro.
A STTU registra um aumento constante no número de ciclistas em Natal, tanto para deslocamentos diários – especialmente casa de para o trabalho – quanto para lazer. A tendência reforça, segundo Trigueiro, a necessidade de acelerar investimentos. “A mudança de comportamento está em curso. Cabe ao poder público acompanhar e garantir segurança e qualidade na infraestrutura”.
Em Natal, mais de 10,9 mil trabalhadores usam bicicleta para ir ao trabalho, mas 98% vivem em ruas sem qualquer sinalização cicloviária, aponta IBGE.
O uso da bicicleta como meio de transporte para o trabalho soma 10.908 pessoas em Natal, segundo estimativa do IBGE, que coloca o modal como o quinto mais utilizado na capital potiguar. Apesar disso, a cidade ocupa apenas a 16ª posição entre as capitais brasileiras com maior proporção de trabalhadores que pedalam diariamente — ranking liderado por Macapá (AP).
O levantamento mostra ainda que a maior parte dos ciclistas leva entre 15 e 30 minutos no trajeto para o trabalho, indicando deslocamentos curtos, típicos da mobilidade urbana de média distância. Mesmo assim, a infraestrutura não acompanha o ritmo de uso: apenas 1,61% dos moradores viviam, em 2022, em vias com algum tipo de sinalização para bicicletas. Isso significa que 98,33% residiam em ruas sem qualquer indicação destinada ao trânsito cicloviário, reforçando o descompasso entre a demanda crescente e a oferta de condições seguras para pedalar na capital.
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