Os dados de outubro sobre o mercado formal de trabalho acenderam um alerta no Rio Grande do Norte. O saldo até que foi positivo – fechou em 954 vagas, resultado de 20.965 contratações e 20.011 demissões de trabalhadores com carteira assinada. No entanto, trata-se de dado aquém da média recente do Estado.
Outubro, tradicionalmente, é o mês em que o mercado começa a acelerar, puxado pelas contratações do fim de ano. Em 2025, no entanto, foi o pior desempenho para o período nos últimos oito anos. Para se ter uma ideia, em outubro de 2024 o saldo verificado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foi positivo em 3.192 empregos com carteira assinada. Em 2023, o saldo tinha sido 5.099 vagas.

No acumulado deste ano, o Rio Grande do Norte contabiliza 19.290 vagas criadas até outubro. As microempresas, mais uma vez, aparecem como as grandes responsáveis por sustentar a geração de empregos. Serviços, Indústria e Comércio lideram o saldo positivo. Ou seja, não há cenário de terra arrasada. Há, sim, um quadro de crescimento — mas com desaceleração perigosa em justamente um mês que, historicamente, serve como termômetro da virada de ano.
Esse comportamento merece leitura cuidadosa. A economia não entra em crise de um mês para o outro, mas dá sinais. Outubro foi um desses sinais. O desempenho mais fraco do que o esperado indica perda de fôlego em alguns setores e, sobretudo, menor disposição das empresas em contratar. Em outras palavras: o empresariado está cauteloso. E quando a iniciativa privada freia, o Estado pode ocupar o espaço com políticas públicas que possam destravar investimentos, estimular contratações e reduzir riscos.
É verdade que o último trimestre costuma trazer algum alívio por conta das vagas temporárias, impulsionadas pelo comércio e pelo setor de serviços. A expectativa de contratações sazonais permanece e deve, sim, garantir algum reforço nas estatísticas de novembro e dezembro. Mas não se pode confundir efeito sazonal com política de emprego. Uma coisa é o aquecimento típico de fim de ano. Outra, bem diferente, é a existência de um ambiente econômico sólido o suficiente para sustentar empregos permanentes em janeiro, fevereiro e março.
É aí que entram as responsabilidades do poder público. Não basta torcer para que dezembro venha “salvador”. É preciso agir agora para evitar que a desaceleração percebida em outubro se transforme, nos primeiros meses de 2026, em retração.
No contexto potiguar, as possibilidades são conhecidas — e, em grande parte, negligenciadas. Falar em política de emprego, no RN, passa obrigatoriamente por discutir crédito acessível ao pequeno empreendedor, desburocratização de licenciamento, estímulo fiscal seletivo e políticas de atração de investimentos. As micro e pequenas empresas, que sustentam a geração de vagas, precisam de menos papel e mais apoio concreto.
Programas de microcrédito produtivo com juros subsidiados, fortalecimento das compras governamentais de pequenos negócios locais, estímulo à formalização e capacitação gerencial são iniciativas de impacto imediato. Ao lado disso, o Estado pode atuar em frentes estruturantes: acelerar obras públicas com alto potencial de geração de empregos, destravar investimentos privados que esbarram em entraves burocráticos, criar ambientes favoráveis para startups e economia criativa, e fomentar cadeias produtivas estratégicas como turismo, agroindústria, energias renováveis e construção civil.
Outro ponto fundamental é a qualificação da mão de obra. Sem investimento em formação profissional alinhada às demandas do mercado, qualquer política de estímulo corre o risco de esbarrar na falta de trabalhadores preparados. Parcerias com o Sistema S, universidades e institutos federais precisam ser ampliadas, não apenas como política educacional, mas como política econômica.
E há ainda a discussão sobre ambiente de negócios. Empresas precisam de previsibilidade. Precisam confiar nas regras, nos contratos e na estabilidade institucional. Quando há insegurança jurídica, o investimento recua. Quando há instabilidade fiscal, a confiança some. Não existe política de emprego sustentável sem responsabilidade nas contas públicas e sem clareza de rumo.
O RN não pode aceitar outubro como uma anomalia estatística. Ele deve ser encarado como aviso. Um aviso que pede ação antes que o problema se agrave. O saldo positivo não é licença para acomodação. É, ao contrário, um alerta para preservar o que foi conquistado.