A 27ª edição do Festival Mada — Música Alimento da Alma — transformou a Arena das Dunas em um pulsante palco de diversidade e celebração cultural nos dias 17 e 18 de outubro. Com mais de 40 mil pessoas reunidas, o evento reafirmou seu lugar entre os maiores festivais de música do Brasil e o mais relevante do Norte e Nordeste.
Com shows potiguares de Dani Cruz, Potyguara Bardo, SouRebel, Taj Ma House e outros nomes de destaque, o Mada 2025 foi marcado pela pluralidade sonora, sustentabilidade e pela força da cultura potiguar, recentemente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte.
Com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-RN) e da Fundação José Augusto (FJA), o festival celebrou quem faz a cultura potiguar pulsar e levou o nome do RN para todo o país.

A curadoria do evento reforçou o compromisso do Mada com a produção autoral e independente. Entre os grandes nomes nacionais, subiram aos palcos artistas como Liniker, Marina Sena, Don L e o projeto Dominguinho — união de João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê.
Um dos momentos mais marcantes foi o Baile da Amada, projeto de curadoria própria que ampliou o espaço da música eletrônica e urbana contemporânea. Irmãs de Pau, Febem, Jadsa, Edgar, KENYA20Hz, Aya Ibeji, Katy da Voz e as Abusadas integraram o line-up, celebrando a pluralidade e a potência criativa que definem o MADA.
Além da música, o público vivenciou uma série de experiências que transformaram o festival em um grande espaço de convivência cultural: tirolesa, touro mecânico, estúdio de tatuagem e ambientes instagramáveis fizeram parte do circuito de entretenimento.
O Mada 2025 também reforçou seu compromisso ambiental. Em parceria com a Maré, foram coletados 2.339,95 kg de resíduos, com 87% (2.012,36 kg) desviados do aterro sanitário. A ação contou com o trabalho de 11 catadores locais e uma Central de Resíduos exclusiva.
Na sexta-feira, o público respondeu com entusiasmo à maratona sonora. O trio Dominguinho encantou com clássicos do forró, seguido pela apresentação envolvente de Marina Sena, que entregou o melhor show de sua trajetória no festival, mesclando músicas dos três álbuns da carreira e focando no mais recente, Coisas Naturais.
O rapper Don L apresentou o novo álbum Caro Vapor II, costurando MPB e hip-hop em faixas como Para Kendrick e Kanye e Saudade do Mar, com referências a Milton Nascimento e Nana Caymmi.
O Baile da Amada ferveu com o rap direto de FEBEM, enquanto o sábado trouxe diferentes vibrações. A baiana Rachel Reis estreou no Mada com os álbuns Meu Esquema e Divina Casca, misturando axé, samba e pop. Liniker retornou ao festival em momento de plena maturidade artística, apresentando faixas de Caju.
Entre os destaques locais, o reggae moderno da banda potiguar SouRebel conquistou o público com um “deboche” contagiante e participações de Gracinha, Cami Santiz e Alê du Black. Baiana System trouxe sua catarse habitual, e Mano Brown encerrou com um baile que mesclou funk, disco e os clássicos dos Racionais — emocionando a plateia entre Vida Loka e Jesus Chorou.
A voz do público
A Cultue ouviu quem viveu o Mada de perto. A cantora potiguar Luaz resumiu o sentimento de muitos artistas locais: “Já participo há vários anos. É muito importante para os artistas potiguares, uma oportunidade de mostrar o quanto nossos artistas são incríveis. A receptividade do público é massa, sempre atentos à música. A conexão que existe aqui no Mada é diferente de tudo.”
Para Vanessa Antunes, o festival é um espaço essencial de resistência cultural: “Adoro o Mada, venho todos os anos há muito tempo. É um festival muito importante porque temos uma carência de cultura mais alternativa.”
O estreante Alex viveu uma experiência inesquecível: “Minha primeira vez no evento. Vim ver Marina Sena e Liniker. Fiquei apaixonado. O Mada me proporcionou a realização de um sonho.” Já Thaís Dias vibrou com o show com participação de João Gomes: “Ele tem uma voz inconfundível, um repertório maravilhoso, valorizando nosso Nordeste.”
Para Jonathan, o festival cumpre um papel social essencial: “Festivais assim são muito importantes. Cultura e acesso não chegam a todos os lugares, e no RN é meio escasso. Por isso é muito importante ter esses eventos.”
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