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Justiça

Cinema de Natal é condenado por ridicularizar deficiência do ativista Ivan Baron

Segundo a decisão, funcionários da empresa ridicularizaram o modo de andar de Ivan, que possui deficiência motora causada por paralisia cerebral
Agora RN
02/09/2025 | 10:10

A Justiça do Rio Grande do Norte determinou que a rede de cinemas Cinemark Brasil S.A. indenize o ativista e influenciador digital Ivan Baron por danos morais, após episódio de discriminação ocorrido em julho de 2023 no Shopping Midway Mall, em Natal.

Segundo a decisão, funcionários da empresa ridicularizaram o modo de andar de Ivan, que possui deficiência motora decorrente de paralisia cerebral, após a sessão de estreia do filme Barbie. O caso veio à tona no dia seguinte, quando um seguidor relatou a situação ao influenciador nas redes sociais.

MEC convida Ivan Baron para nova campanha. Foto: José Aldenir/Agora RN
Ativista e influenciador digital Ivan Baron - Foto: José Aldenir/Agora RN

Ivan Baron é uma das principais vozes da luta anticapacitista no Brasil e, em 2024, protagonizou uma campanha inédita da Assembleia Legislativa do RN sobre inclusão e respeito às pessoas com deficiência, que ganhou repercussão nacional.

Durante o processo judicial, a Cinemark não forneceu integralmente as imagens do circuito interno, omitindo o trecho em que teria ocorrido o ridículo. O juiz considerou essa conduta como má-fé processual e entendeu que o ato violou a honra e a dignidade de Ivan, garantidas pela Constituição, pela Lei Brasileira de Inclusão e pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

A rede de cinemas foi condenada a pagar R$ 3 mil por danos morais, com atualização monetária.

“Um momento que deveria ser de alegria acabou em tristeza e humilhação. Saber que ainda sou ridicularizado por ter uma deficiência mostra que ainda há muito a avançar na luta anticapacitista”, declarou Ivan Baron.

O advogado do influenciador, Ronny César, ressaltou a importância do caso como precedente jurídico: “Tivemos o reconhecimento inédito do capacitismo recreativo, um avanço importante. Mas o valor da indenização é desproporcional diante da gravidade do ato e da dimensão econômica do Cinemark. Por isso, recorremos para majorar a indenização. A empresa também recorreu, mostrando que ainda se recusa a reconhecer o erro”.

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