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Decisão

Ministério Público de Contas pede suspensão da terceirização das UPAs de Natal

Decisão foi tomada após uma consulta inédita com mais de 500 profissionais de saúde e usuários das unidades
Agora RN
01/09/2025 | 10:01

O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Norte (MPC/RN) recomendou a suspensão dos chamamentos públicos que planejavam terceirizar a gestão das quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Natal — Potengi, Pajuçara, Cidade da Esperança e Satélite. A decisão foi tomada após uma consulta inédita com mais de 500 profissionais de saúde e usuários das unidades, além de vistorias presenciais.

Segundo o parecer do MPC (Processo nº 2551/2025), não existem estudos técnicos consistentes que comprovem a vantagem da terceirização. As propostas apresentadas pelas Organizações Sociais foram consideradas genéricas, sem conexão com os problemas reais das UPAs, e a falta de memória de cálculo pode gerar custos ocultos e aditivos onerosos.

UPA da Esperança Natal RN (18)
UPA Cidade da Esperança (CEPHRECE) - Foto: José Aldenir/Agora RN

Relatos alarmantes

Durante a consulta nas UPAs, usuários e profissionais relataram situações graves: partos improvisados em banheiros, recém-nascidos ventilados manualmente por horas devido à falta de equipamentos, idosos em poltronas quebradas por semanas e mortes atribuídas à ausência de insumos e falhas em respiradores.

“Perdi meu pai esperando uma transferência que nunca chegou”, disse um usuário. Outra mãe relatou: “Meu filho ficou quatro horas sendo ventilado com o ambu, porque o respirador estava quebrado.” O MPC destacou: “A escuta trouxe mais do que dados — trouxe lamentos e gritos silenciosos que pediam o registro de que alguém ouviu e se fez presente.”

Situação de cada UPA

  • UPA Potengi (ISAC): Proposta genérica, sem diagnóstico real de superlotação e falta de insumos.
  • UPA Pajuçara (ISAC): Ausência de estudo de viabilidade e entrada insegura, com improvisos em emergências.
  • UPA Cidade da Esperança (CEPHRECE): Estrutura comprometida, equipamentos enferrujados e profissionais sem pagamento há meses.
  • UPA Satélite (Humaniza): Falhas econômicas graves e ausência de diagnóstico concreto da unidade.

Próximos passos

O MPC solicitou ao Tribunal de Contas a suspensão dos certames até que estudos técnicos específicos sejam apresentados e que os Conselhos de Saúde participem efetivamente das decisões. O órgão reforça que seu papel não é definir o modelo de gestão, mas garantir que qualquer decisão seja legítima, transparente e baseada em dados confiáveis.

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