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Vagner Araújo

Dados contábeis, assim como exames clínicos, não podem ser ignorados

Confira a coluna de Vagner Araújo desta terça-feira 12
Vagner Araújo
12/08/2025 | 04:09

Tenho enfatizado que a gestão, seja pública ou privada, precisa evoluir na utilização de dados e evidências como instrumentos essenciais para tomadas de decisão assertivas. Entre todos esses dados disponíveis, os contábeis são os que possuem maior relevância.

A contabilidade é, para as organizações, o que exames médicos são para a saúde das pessoas. Assim como testes laboratoriais e exames de imagem identificam doenças silenciosas e graves, permitindo ações preventivas e tratamentos eficazes, os indicadores contábeis oferecem diagnósticos claros da saúde financeira e operacional de empresas e entes públicos. A análise contábil detalhada não só revela a situação passada, através de balanços, mas, fundamentalmente, demonstra o estado presente e projeta cenários futuros. Mostra se há nevoeiro à frente e lhe permite contorná-lo a tempo.

Dados contábeis, assim como exames clínicos, não podem ser ignorados - Foto: @mindandi/Freepik
Dados contábeis, assim como exames clínicos, não podem ser ignorados - Foto: @mindandi/Freepik

Acontece que, infelizmente, ainda prevalece uma cultura gerencial em que os dados contábeis são praticamente ignorados. Não é difícil perceber isso: quantos gestores você conhece que realmente analisam balanços ou fazem reuniões para discutir relatórios de gestão fiscal? Algum prefeito, secretário ou governador costuma citar publicamente indicadores como índice de liquidez ou poupança corrente em suas falas e decisões? E você, cidadão, por acaso sabe qual o índice de liquidez ou nível de endividamento da cidade que você tanto ama – ou do Estado em que aposta o seu futuro? A resposta mais comum é um enfático “não”.

Embora esses indicadores sejam decisivos para o sucesso ou fracasso político-administrativo de uma gestão e, por consequência, de um município ou Estado, na prática cotidiana são relegados ao esquecimento. A contabilidade é vista como mera obrigação burocrática, cumprimento de formalidades e exigências legais para órgãos de controle.

Para mudar isso, é essencial agir em duas frentes: Gestores precisam saber valorizar os dados contábeis como instrumentos indispensáveis para melhorar e proteger suas administrações. Uma mudança de mentalidade é necessária, reconhecendo a importância desses dados para evitar crises financeiras e administrativas.

Por outro lado, cabe aos profissionais e acadêmicos da contabilidade aprimorar seus métodos comunicacionais para dar clareza, simplificando terminologias e tornando relatórios mais acessíveis. A contabilidade precisa tornar seus conceitos compreensíveis para aqueles que mais necessitam dela: gestores, legisladores, planejadores e cidadãos em geral, ou seja, os que fazem e avaliam a gestão.

Somente com o avançar dessas frentes será possível usar dados contábeis como ferramentas estratégicas capazes de prevenir tempestades gerenciais e garantir rotas seguras, resultados sólidos e administrações resilientes frente aos desafios do presente e do futuro.