A Polícia Federal deve abrir um inquérito para investigar um ataque hacker a sistemas de instituições financeiras que tiveram contas acessadas indevidamente por meio da C&M Software, empresa que conecta instituições financeiras ao Banco Central (BC). A informação foi confirmada à GloboNews pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O BC informou nesta quarta-feira 2 que a C&M Software comunicou um ataque à sua infraestrutura e que determinou o desligamento do acesso das instituições às infraestruturas operadas pela empresa.

A C&M é uma das nove empresas homologadas pelo Banco Central para prestar serviços de tecnologia da informação a instituições participantes do Pix.
Em nota, o diretor comercial da C&M Software, Kamal Zogheib, afirmou que a empresa foi vítima direta de uma ação criminosa que envolveu o uso indevido de credenciais de clientes para tentar acessar seus sistemas e serviços de forma fraudulenta.
“A CMSW confirma que colabora ativamente com as autoridades competentes, incluindo o Banco Central e a Polícia Civil de São Paulo, nas investigações em andamento”, disse Zogheib.
Ele acrescentou que a empresa não comentará detalhes do processo por orientação jurídica e em respeito ao sigilo das investigações, mas reforçou que todos os sistemas críticos da companhia permanecem “íntegros e operacionais” e que todas as medidas previstas nos protocolos de segurança foram “integralmente executadas”.
A BMP, que fornece infraestrutura para plataformas bancárias digitais e é uma das empresas afetadas, afirmou que o incidente envolvendo a C&M permitiu o acesso indevido a contas de reserva de pelo menos seis instituições financeiras. O Banco Central não divulgou os nomes das instituições afetadas.
As contas de reserva são mantidas diretamente no BC e utilizadas exclusivamente para liquidação interbancária — processo por meio do qual instituições financeiras realizam transferências de recursos entre si.
Segundo a BMP, o ataque não teve relação com contas de clientes finais nem com saldos mantidos dentro da instituição. “Reforçamos que nenhum cliente MP foi impactado ou teve seus recursos acessados”, afirmou a empresa em nota oficial.
A BMP informou ainda que “a instituição já adotou todas as medidas operacionais e legais cabíveis, e conta com colaterais suficientes para cobrir integralmente o valor impactado, sem prejuízo à sua operação ou aos seus parceiros comerciais”, acrescentando que continua a operar normalmente.
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