A prefeita de Parnamirim, Nilda Cruz (Solidariedade), afirmou que vai retomar o projeto da Via Verde, construir uma escola de tempo integral com piscina e metodologia avançada de ensino — chamada por ela de “Escola do Futuro” — e zerar a fila de cirurgias eletivas herdada da gestão anterior. Em entrevista à Rádio Clube FM, ela também cobrou mais ação do governo do Estado para a Avenida Olavo Montenegro e disse que a prefeitura já concluiu a convocação dos 55 novos agentes da Guarda Municipal.
“Recebemos mais de 1 mil pessoas aguardando cirurgias há três, quatro, cinco anos. Já realizamos mais de 500 e vamos zerar essa fila com trabalho e respeito à população”, declarou a prefeita. Segundo ela, o sistema de regulação está sendo seguido rigorosamente, com prioridade para os casos mais urgentes.

Nilda afirmou que sua gestão não tem medo dos problemas e vem atuando desde o primeiro dia para corrigir falhas herdadas, inclusive com a recuperação da UPA municipal, onde foram consertados equipamentos, contratada empresa de manutenção e ampliado o número de exames laboratoriais de dois para 32 tipos.
Na área da educação, ela disse que todas as 67 escolas da rede municipal foram recebidas com problemas estruturais, incluindo infiltrações e quadras deterioradas. “Já reformamos dois CMEIs e iniciamos as obras na Escola Municipal Sadi Mendes, que foi entregue em 2016, mas em péssimas condições. Vamos fazer a manutenção de todas as unidades e arrumar a casa para futuramente realizar concurso para professores e outras áreas, conforme o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse.
Entre os projetos que a prefeita quer deixar como legado, está a Escola do Futuro, com estrutura moderna e ensino em tempo integral. “Será uma escola com piscina, quadra, sistema de ensino de excelência e foco no desenvolvimento integral do aluno”, afirmou. Nilda também confirmou a retomada de obras paradas com recursos do Finisa, como as praças da Cidade Verde e de Pium, a drenagem do entorno do cemitério São Sebastião e a duplicação da RN-313, esta última com alterações no projeto feitas após escutar a população. Ela disse que a obra da 313 foi retomada esta semana, após a equipe jurídica conseguir destravar pendências com a Caixa Econômica.
Questionada sobre a Olavo Montenegro, Nilda disse que a obra de melhoria da drenagem depende de cooperação com o Governo do Estado, mas garantiu que o projeto do Parque das Árvores — área que contribui para o acúmulo de lama na avenida — já está pronto. “Assinamos um termo de cooperação técnica que nos permite fazer tapa-buracos e limpeza. Agora estamos buscando recursos e cobrando que o Estado assuma sua parte. Vamos unir União, Estado e Município para resolver isso”, disse.
Outro projeto com entrave estadual citado foi a Via Verde, que desafogaria a Olavo Montenegro ao ligar os condomínios da região da Coophab sem depender da avenida principal. Segundo a prefeita, o projeto está sendo retomado em diálogo com a Aeronáutica. “Já tivemos reunião com o brigadeiro. Vamos rediscutir e correr atrás de recursos. É um desejo da população e uma necessidade da mobilidade urbana.”
A prefeita também comentou a proposta de binário entre a Avenida Abel Cabral e a Maria Lacerda, que depende de parceria com Natal e o Estado. Ela afirmou que esse diálogo está sendo construído e requer estudo técnico. Na segurança, além da convocação dos novos agentes da Guarda, a prefeita sinalizou mudanças administrativas: confirmou que está elaborando uma reforma para reavaliar fluxos e serviços, incluindo possível desmembramento da atual Secretaria de Segurança Pública, Defesa Social e Mobilidade Urbana (Sesdem).
No campo político, Nilda evitou antecipar alianças para 2026, mas reafirmou apoio ao deputado estadual Kleber Rodrigues (PSDB) e ao ex-deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade), atual secretário de Planejamento e Finanças de sua gestão. Questionada sobre possíveis apoios ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ou à senadora Zenaide Maia (PSD), ela respondeu com cautela. “Tenho bom diálogo com Allyson, que é um gestor atuante, e vou apoiar Zenaide, que tem ajudado Parnamirim em Brasília.”
Nilda também negou mudanças no secretariado por ora, e afirmou que o foco é seguir trabalhando todos os dias para resolver os problemas de Parnamirim. “A gente só está há seis meses. A cidade foi deixada com dívidas, obras inacabadas e escolas deterioradas. Estamos organizando para avançar”, concluiu.
Justiça suspende cobrança de dívida, e obras do Finisa serão retomadas
As obras financiadas pelo programa Finisa serão retomadas em Parnamirim. Os serviços estavam paralisados na cidade porque a Prefeitura havia perdido a Certidão de Regularidade do FGTS (CRF). O documento, porém, já foi emitido novamente.
A certidão, exigida para liberação de recursos federais, havia sido suspensa pela Caixa Econômica Federal no início deste ano em razão de uma dívida de FGTS de mais de R$ 20 milhões deixada pela gestão anterior, do ex-prefeito Rosano Taveira (Republicanos).
No início deste mês, porém, a gestão municipal conseguiu na Justiça Federal a suspensão das cobranças e, consequentemente, a emissão do CRF. A determinação foi da juíza Gisele Leite, da 4ª Vara Federal do Rio Grande do Norte, em ação protocolada pela Procuradoria Geral do Município (PGM).
“Graças ao nosso setor jurídico, conseguimos desbloquear a situação e já estamos retomando as obras do Finisa”, afirmou a prefeita Nilda Cruz (Solidariedade) em entrevista à rádio 95 FM na última segunda-feira 23.
Entre os investimentos que serão reiniciados com a retomada do programa, estão a duplicação da RN-313, em Cajupiranga; a construção do Centro Esportivo, no Centro; e obras de drenagem e pavimentação.
A liminar que garantiu a reemissão da CRF pela Caixa Econômica Federal foi concedida no dia 2 de junho. Com isso, o município voltou a estar regular junto ao sistema do Governo Federal, e os repasses restantes do empréstimo puderam ser reativados. A CRF foi emitida pela Caixa no último dia 9.
A dívida que levou à suspensão da Certidão de Regularidade do FGTS (CRF) de Parnamirim tem origem em uma notificação de débito feita por um auditor fiscal do Ministério do Trabalho em novembro de 2021. O auditor considerou nulos os contratos temporários firmados pela Prefeitura com diversos servidores, sob o argumento de que os vínculos — alguns mantidos por mais de 20 anos — caracterizavam desvio de finalidade constitucional, exigindo, portanto, o recolhimento do FGTS e da contribuição social como se fossem contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A Prefeitura, no entanto, contestou a cobrança judicialmente, afirmando que os vínculos eram de natureza jurídico-administrativa, firmados com base em legislação local, e que somente o Poder Judiciário poderia declarar sua nulidade. Ao impor obrigações típicas de contratos celetistas, como o pagamento de FGTS, sem decisão judicial, o auditor teria extrapolado sua competência. A Justiça Federal deu razão ao município em caráter liminar, reconhecendo que a atuação do auditor violou princípios como o do devido processo legal e da separação dos poderes.