O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, antecipou o retorno ao Brasil após cumprir compromissos oficiais em Assunção, no Paraguai, para acompanhar as discussões do governo federal sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
O ministro participava da 55ª Reunião de Ministros do Interior e Segurança do Mercosul e Estados Associados (RMIS) e da 63ª Reunião de Ministros da Justiça do Mercosul (RMJ), realizadas nesta sexta-feira (29), na capital paraguaia.

Segundo interlocutores do governo, Wellington Lima e Silva decidiu antecipar a volta a Brasília em algumas horas para participar presencialmente das articulações no Palácio do Planalto, embora já estivesse envolvido nas discussões desde o anúncio da medida norte-americana.
A Casa Civil, comandada pela ministra Miriam Belchior, convocou uma reunião ministerial nesta sexta-feira, às 12h, no Planalto, para discutir os desdobramentos da decisão dos Estados Unidos. O encontro reúne integrantes da equipe econômica, diplomática e jurídica do governo.
Participam da reunião os ministros da Fazenda, Dario Durigan, das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. Técnicos dos ministérios e representantes da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) também acompanham as discussões.
As reuniões internas tiveram início ainda na quinta-feira (28), logo após o Departamento de Estado dos EUA informar oficialmente a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de ampliar o combate ao crime organizado internacional e endurecer sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participa presencialmente das reuniões em Brasília. Nesta sexta-feira, ele cumpre agenda em Sergipe e, posteriormente, segue para o Rio de Janeiro, onde participa no sábado 30 do lançamento da plataforma de streaming Tela Brasil.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que Lula é contrário à medida adotada pelos Estados Unidos. O principal argumento do Palácio do Planalto é de que a classificação pode abrir precedentes para possíveis intervenções norte-americanas em território brasileiro, o que, na avaliação do Executivo, representaria risco à soberania nacional.