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Polêmica

Investigação liga dirigentes do Corinthians ao PCC e desvio de R$ 1,4 milhão em contrato com casa de apostas

Contrato firmado em janeiro de 2024 entre o clube e VaideBet levou à rescisão por suspeita de uso de laranja e à abertura de inquérito com quebra de sigilos bancários
Redação
15/05/2025 | 08:31

A investigação sobre o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet identificou o repasse de R$ 1,4 milhão em comissões a contas ligadas a dirigentes do clube e ao crime organizado. A Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro obteve as informações por meio da quebra de sigilos bancários. O inquérito está em fase final e deve ser concluído em maio, segundo a Polícia Civil.

Os recursos circularam em contas denunciadas ao Ministério Público por Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), assassinado em 8 de novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

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Votação do impeachment do presidente Augusto Melo está marcada para 26 de maio, durante reunião do Conselho Deliberativo do clube. Foto: Jose Manoel Idalgo/Agência Corinthians

O rastreamento aponta que o valor foi desviado em duas remessas de R$ 700 mil, em março de 2024, para a conta da empresa Rede Social Media Design, de Alex Cassundé. Em seguida, a empresa repassou R$ 580 mil e R$ 462 mil para a Neoway Soluções Integradas, cuja sócia é Edna Oliveira dos Santos, moradora de Peruíbe. À reportagem do UOL, Edna declarou: “desconheço o caso.” As informações foram divulgadas inicialmente pelo SBT e confirmadas pela CNN.

Ainda em março de 2024, a Neoway transferiu cerca de R$ 1 milhão para a Wave Intermediações Tecnológicas. Esta empresa, por sua vez, repassou R$ 870 mil à UJ Football Talent Intermediação. A UJ foi citada por Gritzbach em delação ao Ministério Público. Ele afirmou que a empresa seria controlada informalmente por Danilo Lima, o “Tripa”, apontado como integrante do PCC e investigado pelo sequestro de Gritzbach em 2022.

A Polícia Civil investiga a possibilidade de prática de lavagem de dinheiro e associação criminosa. A apuração também envolve membros da atual diretoria do Corinthians. Alex Cassundé, Marcelo Mariano, Sérgio Moura e o presidente Augusto Melo foram ouvidos em abril pelo delegado Tiago Fernando Correia (DPPC) e pelo promotor Juliano Carvalho Atoji (GAECO). Segundo a CNN, os depoimentos apresentaram divergências sobre a apresentação de Alex Cassundé, considerado intermediário na negociação com a VaideBet.

Nenhum dos quatro apresentou evidências do relacionamento entre as partes envolvidas no fechamento do contrato.

Em nota, o clube afirmou: “O inquérito policial está sob segredo de justiça, portanto não teremos nenhum comentário a adicionar. O Corinthians não tem responsabilidade por qualquer direcionamento de dinheiro que não esteja na conta bancária do Clube.”

A votação do impeachment do presidente Augusto Melo está marcada para 26 de maio, durante reunião do Conselho Deliberativo do clube. A admissibilidade do processo foi aprovada em 20 de janeiro por 126 votos a 114, após mais de quatro horas de reunião no Parque São Jorge.

O contrato com a VaideBet foi assinado em 7 de janeiro de 2024, com duração de três anos, sendo anunciado como o maior patrocínio máster do futebol brasileiro. Em 7 de junho, a empresa rescindiu o acordo alegando suspeita de envolvimento de um “laranja” no contrato.

A denúncia sobre o uso de intermediário partiu de uma coluna de Juca Kfouri no portal UOL, que afirmou que a Rede Social Media Design intermediou o contrato e repassou parte da comissão a outra empresa.

A VaideBet notificou o clube extrajudicialmente, mencionando violação de cláusula anticorrupção no contrato. Em resposta, o Corinthians declarou em nota: “O Corinthians não tem responsabilidade por qualquer direcionamento de dinheiro que não esteja na conta bancária do Clube.”

Com informações da CNN Brasil.

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