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Política

Gleisi toma posse com acenos a Haddad e ao Congresso

Nova ministra da articulação política tenta sinalizar moderação, enquanto Padilha promete reduzir filas no SUS; mudanças acentuam guinada à esquerda no governo e geram insatisfação entre partidos do Centrão
11/03/2025 | 05:30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu aliados no Palácio do Planalto para dar posse a Alexandre Padilha na Saúde e Gleisi Hoffmann na Secretaria das Relações Institucionais, as primeiras trocas de outras que devem ocorrer na equipe ministerial.

O evento, numa segunda-feira pós-Carnaval, foi concorrido, mas marcado por algumas ausências notadas, como de alguns líderes de partidos aliados ao governo. A escolha de Gleisi e Padilha, dois petistas, foi criticada nos bastidores por não atender siglas do Centrão que reivindicam mais espaço na Esplanada.

Lula e Gleisi conversam, com Janja e Alcolumbre ao fundo — Foto: Brenno Carvalho/Globo
Lula e Gleisi conversam, com Janja e Alcolumbre ao fundo — Foto: Brenno Carvalho/Globo

Ao discursar no evento, Gleisi tentou amainar a imagem de radical ao fazer acenos ao ministro Fernando Haddad (Fazenda), com quem já viveu embates. A escolha de Lula pela agora ex-presidente do PT foi vista por aliados como uma guinada à esquerda do governo, em especial pelas críticas que ela fez a medidas econômicas tomadas ao longo destes dois anos de mandato.

— Tenho plena consciência do meu papel, que é da articulação política. Estarei aqui, ministro Fernando Haddad, para ajudar nas consolidações das pautas econômicas do governo. Pautas que você conduz e que estão colocando novamente o Brasil na rota do emprego, do crescimento e da renda — disse Gleisi, acrescentando que “cumprirá acordos” com o Congresso. — Devemos fazer política para somar, respeitando adversários, construindo alianças e cumprindo acordo legitimados no interesse do país e da população.

A principal pauta do Ministério da Fazenda para 2025 é aprovar a reforma da renda, que prevê isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O texto ainda está em discussão no governo.
A nova ministra e Haddad já viveram embates no governo, com críticas dela à política econômica. Para distensionar o ambiente, Gleisi ligou para o colega de Esplanada assim que foi anunciada no cargo, há dez dias.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), participaram da posse e foram saudados pela nova ministra.
— Nós vamos ter uma atuação conjunta em defesa do povo e do país. Presidente Hugo, presidente Alcolumbre, com vocês quero manter a relação respeitosa, franca, solidária e direta. Não tenham dúvidas que estarei sempre aqui para conversar, ouvir críticas e acolher sugestões — disse Gleisi.

Padilha promete reduzir tempo de espera no atendimento especializado

Axandre Padilha, tomou posse nesta segunda-feira (11) com um discurso focado na redução do tempo de espera para atendimento especializado no SUS, um dos principais gargalos do sistema público e um dos pontos centrais que levaram à queda de sua antecessora, Nísia Trindade.

Durante a gestão de Nísia, a demora na realização de consultas com especialistas e exames médicos foi alvo de críticas de parlamentares, governadores e prefeitos, que cobravam uma atuação mais ágil do ministério para resolver a questão.

Na cerimônia de posse, no Palácio do Planalto, Padilha reconheceu que o problema se arrasta há anos, mas afirmou que o governo buscará soluções concretas para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde.

“Todos os dias vou trabalhar para buscar o maior acesso e o menor tempo de espera para quem precisa de atendimento especializado no nosso país. Não há solução mágica para um gargalo que ultrapassa décadas e que se agravou com a pandemia e o descaso do governo anterior.”

A longa espera para atendimentos especializados foi um dos principais desafios enfrentados por Nísia à frente da pasta e acabou sendo um dos argumentos usados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para justificar a mudança no comando do ministério. Lula vinha cobrando uma atuação mais política da ministra para responder às críticas do Congresso e lidar com as demandas de estados e municípios, algo que Padilha – com um perfil mais articulador – deve priorizar.

Para enfrentar o problema, Padilha anunciou que pretende revisar a tabela SUS, responsável pela remuneração dos serviços prestados pela rede privada e conveniada ao sistema público de saúde. Ele argumentou que a forma como essa tabela funciona hoje não incentiva a redução das filas.

Nísia diz que sofreu campanha misógina e inaceitável

A agora ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou nesta segunda-feira (10) que enfrentou uma campanha sistemática de ataques misóginos durante sua gestão à frente da pasta.

A declaração foi feita durante cerimônia no Palácio do Planalto, que marcou a posse do novo ministro, Alexandre Padilha.

“Não posso esquecer que, durante os 25 meses em que fui ministra, uma campanha sistemática e misógina ocorreu para desvalorizar meu trabalho, minha capacidade e minha idoneidade. Não é possível e não aceito como natural comportamento político dessa natureza.”

Nísia também defendeu a necessidade de mudanças na forma como a política é conduzida no país.
“Podemos e devemos construir uma nova política baseada efetivamente no respeito e no diálogo em torno de propostas para melhorar a vida da população.”

A cerimônia também oficializou a nomeação de Gleisi Hoffmann como ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), cargo antes ocupado por Padilha.

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