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Contas do Governo

TCE-RN envia contas de Fátima de 2019 para decisão final da Assembleia Legislativa

Aprovação veio com ressalvas e recomendações; decisão final caberá aos deputados estaduais, que poderão seguir ou não o entendimento da Corte de Contas
Por O Correio de Hoje
23/06/2026 | 15:07

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte recebeu oficialmente o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) sobre a primeira prestação de contas da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), referentes ao ano de 2019. O processo foi encaminhado pelo TCE-RN ao Legislativo no último dia 18 de junho, às vésperas do início do processo eleitoral e na reta final do segundo mandato da petista.

O envio foi formalizado por meio de ofício assinado pelo presidente do TCE, Carlos Thompson Costa Fernandes, direcionado ao presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira (PSDB). No documento, o conselheiro informa que o TCE-RN, por intermédio do Acórdão nº 810/2025-TC, emitiu parecer prévio favorável à aprovação das contas, “com ressalvas e recomendações”, e que a decisão já transitou em julgado no âmbito da Corte de Contas.

GoveRio Grande do Norteadora Fátima foto Eduardo Maia ALRN
Governadora Fátima Bezerra em leitura de mensagem no plenário da Assembleia - Foto: Eduardo Maia / ALRN

Embora o parecer técnico do TCE seja favorável, a palavra final não pertence ao Tribunal. Pela Constituição Estadual, cabe à Assembleia Legislativa julgar as contas da chefe do Poder Executivo. Os deputados poderão seguir ou não a orientação da Corte de Contas ao apreciar o processo. Uma eventual rejeição das contas pode deixar a governadora Fátima Bezerra inelegível. Ela não será candidata no pleito de 2026.

O julgamento ganha relevância política porque ocorre em ano eleitoral e envolve justamente as primeiras contas da gestão, iniciada em janeiro de 2019. À época, Fátima assumiu um Estado mergulhado em grave crise fiscal, com atrasos salariais, dificuldades de caixa e forte comprometimento das receitas com despesas obrigatórias. Agora, quando a governadora se aproxima da conclusão de oito anos à frente do Executivo, os parlamentares terão a missão de analisar oficialmente o balanço daquele primeiro exercício.

No parecer aprovado pelo TCE, o entendimento majoritário foi de que as inconsistências identificadas não justificavam uma reprovação. A própria ementa do acórdão faz referência ao “contexto fiscal excepcional do primeiro ano de gestão”, à “adoção de medidas de ajuste fiscal” e à existência de “impropriedades de natureza formal ou administrativa”, concluindo pela emissão de “parecer prévio favorável à aprovação com ressalvas”.

O julgamento não foi unânime. O resultado foi aprovado por maioria de quatro votos a dois, prevalecendo o voto-vista do conselheiro George Montenegro Soares. O entendimento vencedor incorporou ainda fundamentos apresentados pelos conselheiros Antonio Ed Souza Santana e Paulo Roberto Chaves Alves. Ficaram vencidos o relator original do processo, Antonio Gilberto de Oliveira Jales, e o conselheiro Renato Costa Dias.

Apesar da aprovação recomendada, o acórdão traz uma extensa lista de ressalvas e recomendações. Boa parte delas está relacionada à situação previdenciária e fiscal do Estado. O Tribunal recomendou, por exemplo, a implementação de um plano de amortização do déficit atuarial do regime próprio de previdência, a regularização de pendências para obtenção do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) e a adoção de medidas para fortalecer o controle das contribuições previdenciárias.

O TCE também chamou atenção para o crescimento das despesas com pessoal. Entre as recomendações expedidas ao Executivo, está a orientação para que o Estado “se abstenha de conceder quaisquer reajustes remuneratórios, aumentos, vantagens ou reestruturações salariais” enquanto permanecer acima do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em outro trecho, o acórdão menciona expressamente reajustes concedidos a categorias específicas “a exemplo do que foi feito para Polícia Militar e para os Procuradores do Estado no exercício analisado”.

Os conselheiros ainda recomendaram que o governo intensifique medidas de contenção de gastos com pessoal, mantenha controle rigoroso sobre gratificações e vantagens e evite novas contratações não essenciais até a recondução dos índices aos limites previstos na legislação fiscal.

Entre os demais pontos abordados, estão recomendações para aprimorar a cobrança da dívida ativa, aperfeiçoar a transparência das renúncias fiscais, melhorar o controle dos restos a pagar e fortalecer a fiscalização sobre empresas estatais. O Tribunal também determinou a realização de auditoria específica na Empresa Gestora de Ativos do Rio Grande do Norte (Emgern) para avaliar a execução orçamentária da companhia e sua possível dependência econômica em relação ao Governo do Estado.