Os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF), popularmente conhecidos como cigarros eletrônicos ou vape, são produtos derivados do tabaco e têm sua circulação proibida no Brasil. Com uso popularizado durante a época da pandemia, os vapes passaram a ser adquiridos principalmente pelo público jovem.
Segundo o Ministério da Saúde, essa circulação se deu devido ao fácil acesso ao mercado ilegal e pela fase de experienciar coisas novas, juntamente com a busca por validação em rodas de amigos. A inalação de nicotina apresenta diversos riscos e, quando realizada na adolescência, acarreta prejuízo no desenvolvimento do cérebro, causando, eventualmente, dificuldades cognitivas e propensão a transtornos mentais.

No entanto, com o uso frequente, muitos usuários começaram a perceber problemas cardíacos e mentais. Ao AGORA RN, Breno Oliveira, de 22 anos, disse que iniciou o uso do vape após observar a normalidade em que seus amigos próximos fumavam até não conseguir mais parar. “Comecei por achar legal e a presença de nicotina no cigarro eletrônico me fazia relaxar momentaneamente do estresse do trabalho, resolvi comprar um para o uso próprio e deixar de usar dos meus amigos, nisso o uso constante por tem um sempre presente causou meu vício”, relatou.
Com o passar do tempo, o jovem percebeu que os seus estresses diários se tornaram uma desculpa para que ele fumasse cada vez mais, o que causou consequências para sua saúde mental e física. “Não conseguia passar menos de 30 minutos sem usar e acordava de madrugada para usar e voltar a dormir, isso gerou fortes dores no peito e uma fadiga absurda, fora a abstinência em momentos que não conseguia fazer o uso”.
Assim como Breno, Carol Lima, de 35 anos, começou a usar o cigarro eletrônico por curiosidade. Em 2020, quando as consequências do uso diário ainda eram desconhecidas, era comum ouvir que os produtos eram ”menos nocivos do que o cigarro normal”.
Porém, os problemas de saúde começaram a afetar a mulher com o passar do tempo e, por isso, decidiu parar de usar. “Me vi com problemas de saúde que nunca tive: falta de ar, cansaço e até ansiedade. Não consigo dizer que, de fato, foi pelo uso do cigarro eletrônico; mas meu desejo atual é que eu realmente consiga me livrar deste vício. Todos os dias lemos notícias de pessoas que estão com problemas sério devido ao uso contínuo do vape, e eu não quero isso mais para mim”, comentou.
Proibição de vapes
De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada, RDC ANVISA n.º 46, de 2009, instituída pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a fabricação, comercialização, assim como produção, distribuição e veiculação de propagandas dos produtos, devido à ausência de estudos que comprovem a segurança no uso dos aparelhos são proibidas. Recentemente, o regulamento foi atualizado e a proibição mantida nos mesmos termos, através da RDC ANVISA n.º 855/2024, e vale para todos os dispositivos desse tipo, independentemente do modelo ou nomenclatura utilizada para o produto.
“Esses dispositivos eletrônicos são mais eficientes em criar dependência que o cigarro comum, devido ao alto potencial viciante, acostumando o organismo do usuário a consumir doses maiores de tabaco e nicotina. Seus componentes são tóxicos e podem causar doenças sérias como câncer no pulmão, esôfago, boca, doenças cardiovasculares como infarto e derrame cerebral, e doenças pulmonares como enfisema”, informou Janine Guimarães, Chefe do Núcleo de Saúde Ambiental da Vigilância Sanitária de Natal (VISA Natal).
Ainda segundo Janine, a população tem um papel importante como agentes de combate ao tabagismo, uma vez que podem denunciar a venda ilegal desse tipo de produto à Vigilância Sanitária. “É importante frisar que o cigarro eletrônico no Brasil não tem controle de qualidade por ser um produto clandestino, logo, não é fiscalizado, então a população tem que ficar alerta sobre os perigos que podem ser provocados pelo uso desses produtos”, diz, enfatizando que os comerciantes devem ficar atentos e não disponibilizar os produtos em seus estabelecimentos.