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Sono

Dormir mal afeta humor e saúde mental, alerta psiquiatra

Psiquiatra explica a relação entre sono, estresse, saúde mental e produtividade no dia a dia
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 13:07

Dormir mal por dias ou semanas pode comprometer o humor, a concentração, os relacionamentos e a saúde mental. O alerta foi feito pelo psiquiatra Éverson Damasceno durante entrevista concedida ao programa Panorama 95, da Rádio 95 FM, ao abordar a relação entre qualidade do sono, estresse e transtornos mentais.

Segundo o especialista, o sono exerce papel fundamental no funcionamento do cérebro e na manutenção do equilíbrio emocional.

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Acordar cansado com frequência pode indicar sobrecarga física ou emocional - Foto: Magnific

“O sono vai ter esse papel fundamental na manutenção do cérebro, é como se fosse o momento da faxina, da limpeza. Então o cérebro, nesse momento do sono, vai estar passando por um processo de equilíbrio, neurotransmissores e a consolidação das memórias”, explicou.

De acordo com Damasceno, a privação de sono prolongada produz efeitos que vão além do cansaço físico.

“Quando você dorme mal por vários dias ou semanas, isso acaba comprometendo principalmente o humor, causando queda na concentração, atrapalhando inclusive por irritabilidade, prejudicando até mesmo nos relacionamentos”, afirmou.

O médico também diferenciou o cansaço considerado normal daquele que pode indicar algum problema.

“O cansaço normal melhora com descansos, com férias, com uma boa noite de sono. Já o cansaço que é persistente e que a gente vê ele como problemático muitas vezes vem acompanhado de outros sintomas, principalmente quando a gente está falando de desânimo, irritabilidade, perda de prazer, também tem a sensação de que nada recarrega”, disse.

Segundo ele, um dos principais sinais de alerta é acordar cansado com frequência.

“Um alerta muito grande é quando a pessoa já acorda cansada quase todos os dias e aí a gente tem que avaliar que a pessoa, mesmo dormindo horas suficientes, ainda não consegue estar completamente descansada.”

O psiquiatra apontou fatores que frequentemente levam ao comprometimento do sono.

“As situações mais comuns que as pessoas acabam se deparando com esse prejuízo do sono é o excesso de trabalho, relações interpessoais conflituosas, às vezes situações difíceis no contexto familiar, preocupações financeiras, também às vezes a pressão pelo desempenho, pela performance, de você precisar estar entregando resultados”, afirmou.

Segundo ele, essas situações podem gerar um estado permanente de alerta.

“São situações ansiogênicas, são situações que despertam esse estado de alerta.”

O médico também destacou os prejuízos relacionados ao consumo de álcool, café e energéticos.

“A gente não pode esquecer também do abuso de substâncias, como o álcool, que tem pessoas que usam para relaxar até mesmo antes de dormir, só que aí a gente percebe que pode acabar sendo prejudicial, assim como o café e energéticos.”

Entre os sintomas mais frequentes associados aos problemas de sono, Damasceno citou a dificuldade para iniciar o sono, despertares recorrentes e sonolência durante o dia.

“Precisamos avaliar essa qualidade do sono. Antes de mais nada, a gente pode observar uma insônia frequente, a dificuldade para iniciar esse sono. Além disso, acordar várias vezes à noite, com dificuldade em retomar esse sono. Pesadelos recorrentes também podem perturbar bastante essa qualidade do sono ou sonolência excessiva durante o dia.”

Ele ressaltou que, em geral, as pessoas precisam dormir entre seis e oito horas por noite, mas observou que apenas a quantidade de horas não é suficiente para avaliar a qualidade do descanso.

“Tem gente que dorme essa quantidade de tempo e às vezes percebe que não é o suficiente para descansar. Como a gente falou, o cansaço, quando ele se torna prejudicial nesse sentido de o sono não reparar esse cansaço diário, provavelmente a pessoa está em alguma circunstância de sobrecarga, em alguma circunstância adoecedora.”

Questionado sobre o uso de celulares antes de dormir, Damasceno afirmou que o hábito interfere diretamente na qualidade do sono. O especialista recomendou evitar o uso de telas próximo ao horário de dormir.

“O que eu recomendo às pessoas é, em relação ao horário próximo de dormir, pelo menos uma hora ou então 30 minutos antes de dormir, evitar o uso de telas.”

Ele explicou que a chamada luz azul emitida pelos aparelhos eletrônicos contribui para manter o cérebro em estado de alerta. Além dos celulares, alertou para o hábito de dormir com a televisão ligada.

“O ideal é tentar ter um ambiente silencioso naquele momento, porque tanto o barulho quanto a luz podem interferir no sono.”

Durante a entrevista, o psiquiatra reforçou que estimulantes devem ser evitados principalmente no período da noite.

“O café preto, preferencialmente pela manhã. Evitar em horários que estejam mais da metade da tarde para a noite, porque isso pode acabar interferindo no sono.”

O mesmo vale para energéticos e suplementos estimulantes utilizados antes dos treinos.

“Usar esses tipos de substâncias estimulantes, como café, energéticos ou pré-treinos, nesse horário, pode acabar comprometendo a qualidade do sono.”

Sobre o álcool, Damasceno afirmou que muitas pessoas utilizam a bebida de forma equivocada para tentar dormir melhor.

“O pessoal erroneamente utiliza algumas pessoas meio que se automedicam com o álcool para tentar facilitar o sono. Tomam ali uma taça de vinho, um pouquinho de cerveja para dormir.”

Segundo ele, embora a bebida possa facilitar o início do sono, o efeito geral é prejudicial.

“O álcool pode até facilitar com que você entre no sono, tem um início do sono mais facilitado. Só que ele compromete completamente a arquitetura do sono. Fica muito bagunçado e gera despertares frequentes durante a noite.”

Ao comentar hábitos que prejudicam o descanso, o médico chamou atenção para o uso da cama para atividades relacionadas ao trabalho e à resolução de problemas.

“Uma coisa que eu percebo muito também é que as pessoas transformaram a cama em escritório emocional.”

Segundo ele, o ambiente deve ser associado ao descanso.

“A cama tem que tentar se criar esse ritual de ir para a cama com o objetivo de dormir, porque aí, se você fizer outras atividades enquanto está na cama, isso meio que acaba confundindo um pouco o cérebro a ponto de acabar interferindo nesse processo do sono.”

Damasceno destacou ainda a importância de estabelecer horários regulares para dormir e acordar.

“Eu vejo muitas pessoas que têm horários que são variáveis, não têm hora para dormir, não têm hora para deitar. Isso é prejudicial, porque o cérebro não vai se habituar com esse padrão.”

Ele acrescentou que a previsibilidade é importante para o funcionamento do organismo.

“Nossa mente funciona muito como um ciclo biológico. Ter esse relógio deve tentar ter uma certa previsibilidade.”

Entre as medidas recomendadas para melhorar a qualidade do sono, o psiquiatra citou horários fixos para dormir e acordar, redução do uso de telas, diminuição do consumo de estimulantes à noite e criação de um ambiente adequado para o descanso. Outra orientação é evitar levar preocupações para a cama.

Segundo ele, muitas pessoas permanecem refletindo sobre dificuldades do dia ou preocupações futuras justamente no momento em que tentam dormir.

Ele também esclareceu que acordar durante a madrugada não significa necessariamente um problema.

“As pessoas têm que entender que acordar durante a noite não é um problema. Se torna um problema quando você acorda várias vezes e tem dificuldade de retomar o sono.”

O médico acrescentou que outros rituais podem auxiliar no relaxamento antes de dormir, como banho morno e bebidas calmantes.

“Tem alguns tipos de chás que podem ser utilizados também, como chá de camomila ou chá de erva-cidreira.”

Ao final da entrevista, Damasceno explicou em quais situações é recomendável buscar avaliação profissional.

“O problema vai estar relacionado com quando você perceber que o seu sono ou sua energia não estiver sendo restaurados.”