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Coluna

Ney Lopes: O problema de Israel é Benjamin Netanyahu

Confira a coluna de Ney Lopes nesta quarta-feira 2
Ney Lopes
07/02/2024 | 08:02

O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, é uma figura política singular na atualidade. A sua característica é a capacidade de sobrevivência política. Ele assumiu o cargo e o poder pela vez primeira em 1996. O médio oriente vive hoje cenário apocalíptico, com assassinatos, violação, guerra, fome e perturbação do comércio global.

A popularidade de Netanyahu caiu drasticamente, desde que começou seu sexto mandato como primeiro-ministro, há pouco mais de um ano. Os seus esforços pela reforma judicial autoritária ameaçaram desencadear uma crise constitucional e dividiram o país, com meses de manifestações maciças. Ao final, a Corte Suprema derrubou integralmente a reforma do judiciário proposta por Netanyahu

Benjamin Netanyahu - Foto: Ohad Zwigenberg / POOL / AFP
Benjamin Netanyahu - Foto: Ohad Zwigenberg / POOL / AFP

A cada dia aumenta pressão para a saída do primeiro ministro. Mais de 40 ex-policiais de segurança nacional israelenses e líderes empresariais enviaram carta ao presidente e presidente do parlamento de Israel, exigindo que Benjamin Netanyahu, seja removido do cargo por representar o que eles dizem ser uma ameaça “existencial” para o país.

Os signatários da carta incluem quatro ex-diretores dos serviços de segurança externa e interna de Israel, dois ex-chefes das Forças de Defesa de Israel (IDF) e três ganhadores do Prêmio Nobel. A carta critica a coalizão que Netanyahu reuniu para formar o governo mais direitista de todos os tempos em Israel, juntamente com seus esforços altamente controversos para reformar o judiciário de Israel que, segundo eles, levaram a lapsos de segurança que resultaram nos ataques de 7 de outubro, o dia mais mortal da história de Israel.

Netanyahu é acusado na carta, de ser o responsável pelo ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, em razão de ter criado as circunstâncias, que levaram ao brutal massacre de mais de 1.200 israelenses, ao ferimento de mais de 4.500 e ao sequestro de mais de 230 indivíduos, dos quais mais de 130 ainda estão detidos em cativeiro do Hamas.

“O sangue da vítima está nas mãos de Netanyahu” diz o texto da carta. Apenas 15% dos israelenses querem Netanyahu como primeiro-ministro. No entanto, a sua principal preocupação é permanecer no poder a qualquer custo. E isso é um problema. O seu partido está cheio de bajuladores, cuja única virtude é a lealdade ao líder. Os únicos partidos políticos dispostos a se juntar a um governo liderado por Netanyahu são a extrema direita e a ultra ortodoxos, já que Netanyahu pagará qualquer preço que exijam para ganhar e manter o poder.

Netanyahu se afasta do próprio presidente Biden, quando rejeita totalmente a possibilidade de dois estados, como forma de pacificação em Gaza.

Hoje, Israel enfrenta três problemas políticos: o conflito israelense-palestino, o conflito árabe-israelense e as relações entre os movimentos religiosos judaicos. Todavia, na verdade, o grande problema para o país, se concentra na permanencia de Netanyahu no poder.