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Investigação

Abin quis ligar Gilmar e Moraes ao PCC e monitorou promotora, diz investigação

Ex-chefe da Abin é investigado por supostas investigações paralelas
Agora RN
26/01/2024 | 08:05

A Polícia Federal (PF) encontrou registros de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tentou produzir provas que relacionassem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e deputados federais de oposição ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A informação consta em relatório enviado ao STF para pedir buscas em endereços ligados ao deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, e a outros servidores da agência na Operação Vigilância Aproximada, deflagrada nesta quinta.

Operação contra esquema de espionagem ilegal foi deflagrada ontem pela PF - Foto: ANTÔNIO CRUZ / AGÊNCIA BRASIL
Operação contra esquema de espionagem ilegal foi deflagrada ontem pela PF - Foto: ANTÔNIO CRUZ / AGÊNCIA BRASIL

“As ações apresentaram viés político de grave ordem representando mais um evento de instrumentalização da Agência Brasileira de Inteligência”, defende a PF.

O documento afirma ainda que houve uma tentativa de “criar fato desapegado da realidade” para associar parlamentares e os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do STF, à organização criminosa. As notícias falsas circularam em grupos bolsonaristas.

Ramagem é investigado porque, segundo a PF, teria autorizado investigações paralelas, sem autorização judicial e sem indícios mínimos de materialidade que justificassem as apurações. Procurado pela reportagem, ele ainda não se manifestou.

A investigação foi aberta depois que a PF descobriu que a Abin usou o software First Mile para espionar adversários políticos de Bolsonaro. A lista inclui o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, governadores e parlamentares de oposição ao ex-presidente, como a ex-deputada Joice Hasselmann, e ministros do Supremo Tribunal Federal. Já o ministro da Educação, Camilo Santana, na época governador do Ceará, teria sido monitorado com drone.

O programa não permite o grampo de mensagens e ligações, mas dá acesso à geolocalização em tempo real e a dados pessoais registrados junto a operadoras de telefonia. A capacidade de monitoramentos simultâneos do programa ainda é investigada. O sistema espião teria sido usado mais de 60 mil vezes pela Abin entre fevereiro de 2019 e abril de 2021, segundo a PF.

Sob Ramagem, Abin agiu para ajudar Jair Renan e Flávio Bolsonaro, indica PF

A Polícia Federal aponta que a Abin foi usada, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), para beneficiar Jair Renan e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filhos do ex-presidente.

A PF afirma que a Abin tentou produzir uma prova a favor de Jair Renan e fez relatórios para a defesa de Flávio. As informações estão no relatório que embasou uma operação ontem contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi diretor da Abin no governo Bolsonaro. Buscas foram realizadas em endereços do deputado. Sete policiais cedidos à Abin foram afastados das funções.

A ajuda a Flávio está ligada ao chamado caso das rachadinhas. Segundo a investigação, um policial federal que estava cedido à Abin produziu pelo menos dois relatórios de inteligência para dar suporte à defesa do senador.

O caso de Jair Renan tem relação com um suposto caso de lobby. O filho do presidente era investigado por supostamente usar sua influência no governo federal em favor de uma empresa de mineração. A Abin teria agido para produzir provas que beneficiariam o filho do presidente.