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Violência política

Governo apura dez mortes ligadas à violência política após eleição

Balanço do Ministério da Justiça reúne 45 ocorrências e 47 vítimas desde a véspera do segundo turno; três indígenas estão entre os mortos
Agora RN
29/10/2026 | 17:30

Dez mortes estão entre os episódios de violência política que o governo federal anunciou medidas para investigar durante e após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na quarta-feira 28 contabiliza 45 ocorrências e 47 vítimas desde sábado 24, véspera da votação.

Três indígenas estão entre os mortos. A maior concentração dos registros ocorreu no domingo 25 e na segunda-feira 26, período das comemorações pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).

Integrantes do governo sentados à mesa em coletiva no Ministério da Justiça, com bandeira do Brasil ao fundo
Integrantes do governo apresentaram medidas para investigar episódios de violência política na quarta-feira 28 — Foto: Isaac Amorim/MJSP

Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina tiveram os maiores números de ocorrências. O levantamento considera os casos identificados até quarta-feira 28 e poderá ser atualizado conforme os órgãos responsáveis consolidem novas informações.

Medidas anunciadas

A resposta do governo inclui o acompanhamento dos casos pela Polícia Federal (PF) e a articulação entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os Ministérios Públicos estaduais.

O Ministério da Justiça também solicitou informações às corregedorias das polícias estaduais e do Distrito Federal para verificar possíveis participações de agentes públicos nos episódios.

Quando houver suspeita de envolvimento de integrantes das forças de segurança em mortes, a pasta acompanhará os procedimentos criminais e administrativos. Caberá às corregedorias informar quais providências foram adotadas pelas corporações.

Responsabilidade pela apuração

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, o conjunto de registros abrange diferentes tipos de crime. A definição do órgão responsável por investigar dependerá da natureza de cada ocorrência.

“Alguns deles são crimes eleitorais cometidos no dia das eleições ou no período que as antecedeu. Outros envolvem violência política de gênero, que é de competência federal”, explicou durante entrevista coletiva no Palácio da Justiça, em Brasília.

Nos casos de violência política de gênero mencionados pelo secretário, a investigação fica com a Polícia Federal, com participação do Ministério Público Federal e da Justiça Federal.

Integração dos registros

Reunir as informações produzidas pelas instituições será uma das prioridades, afirmou o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.

A preocupação do governo é impedir que a divisão de atribuições entre órgãos estaduais e federais dificulte a identificação e a responsabilização dos autores dos crimes.

“Há um esforço para consolidar todos os registros de violência com natureza política no contexto das instituições. A cartografia institucional brasileira é complexa”, declarou.

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