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Denúncia

Mãe diz que PM obrigou filho a vestir camisa de Lula e riu: “são menos três votos”

Adolescente de 17 anos foi apreendido por suspeita de tráfico em Piracicaba; mãe relata agressões e afirma que policial debochou ao ser questionado sobre as camisetas
Agora RN
23/10/2026 | 09:40

A mãe de um adolescente de 17 anos apreendido por suspeita de tráfico de drogas em Piracicaba, no interior de São Paulo, acusa policiais militares de obrigarem o filho a vestir uma camisa da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Edna Souza Barbosa, um dos agentes riu ao ser questionado sobre as roupas usadas pelo adolescente e outros dois suspeitos.

“Meu filho não estava com a camiseta. Meu filho estava com a camiseta azul, regata. Estavam [suspeitos] os três com essa blusa [do PT]. Daí eu perguntei para o policial: ‘por que eles estão com a blusa tudo igual?’. O policial simplesmente olhou para a minha cara e começou a dar risada. Falou assim: ‘são menos três votos para domingo'”, afirmou Edna à EPTV, afiliada da TV Globo.

Mãe diz que PM obrigou filho a vestir camisa de Lula e riu: “são menos três votos”
Trio detido com camiseta do Lula em Piracicaba — Foto: Reprodução/Redes sociais

Além do adolescente, dois homens, de 21 e 24 anos, foram apresentados à delegacia usando camisetas semelhantes. O adolescente foi encaminhado à Fundação Casa nesta quinta-feira 22. O jovem de 21 anos foi solto pela Justiça mediante medidas cautelares, enquanto o homem de 24 anos permaneceu preso.

Edna também acusa policiais de agredirem o filho e outra filha, de 14 anos, durante a abordagem. Ela nega que a família tenha ligação com a campanha eleitoral e afirma que o adolescente é usuário de drogas, não traficante.

O jovem de 21 anos declarou à Polícia Civil que os militares encontraram camisetas em uma viela e mandaram os três vesti-las. Em depoimento obtido pelo g1, ele afirmou que não sofreu violência física ou psicológica. Duas mulheres contratadas pela campanha do PT também disseram que policiais retiraram delas os uniformes utilizados pelos suspeitos.

A deputada estadual Professora Bebel (PT) apresentou uma representação à Corregedoria da Polícia Militar. Já a advogada Joice Vanessa dos Santos, que integra a defesa de um dos policiais, afirmou que as acusações “não retratam adequadamente o contexto da ocorrência nem a atuação dos policiais”.

A Defensoria Pública informou que participou das audiências de custódia dos dois adultos e que os relatos foram considerados pela Justiça. O caso também ganhou repercussão após o senador eleito Guilherme Derrite (PP) compartilhar imagens dos detidos. Ele afirmou que a publicação tratava do aliciamento de jovens pelo tráfico e não fazia referência às camisetas. O PT pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o Ministério Público Eleitoral (MPE) investigue o episódio.