O senador potiguar Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, teria integrado o grupo que aconselhou o candidato derrotado a reconhecer o resultado do segundo turno e telefonar para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada nesta segunda-feira 26 pela CNN Brasil.
Segundo a apuração, além de Marinho, defenderam essa posição o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a advogada Maria Claudia Bucchianeri. Os quatro participaram das discussões sobre o pronunciamento que Flávio faria depois da confirmação da vitória de Lula.

Orientação foi rejeitada
Segundo a apuração, o grupo avaliava que Flávio sairia politicamente fortalecido se reconhecesse a derrota, parabenizasse Lula e, ao mesmo tempo, cobrasse esclarecimentos da Justiça Eleitoral sobre os problemas registrados durante a votação.
O reconhecimento do resultado não impediria que a campanha adotasse medidas jurídicas posteriores. A orientação era separar o gesto político de respeito às urnas de eventuais questionamentos sobre atos da campanha adversária ou sobre a condução do processo eleitoral.
Flávio preferiu seguir a posição de integrantes do grupo que defendiam a contestação imediata. A discussão ocorreu em uma residência no Lago Sul, em Brasília, entre o momento em que Lula foi declarado matematicamente reeleito, às 21h08, e o pronunciamento do candidato do PL, por volta das 22h40.
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Contestação do resultado
No pronunciamento, Flávio afirmou que não reconhecia o resultado e anunciou que pediria a anulação da eleição. Rogério Marinho estava ao lado do candidato durante a declaração. Até o momento, não há confirmação de que uma ação com esse pedido tenha sido protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A principal alegação apresentada pelo grupo foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a continuidade da votação até as 19h nas seções que permaneciam abertas. Urnas que já haviam sido encerradas não foram reabertas.
As campanhas de Lula e de Flávio haviam solicitado a ampliação do horário em diferentes regiões. A primeira relatou dificuldades no transporte público; a segunda apontou problemas provocados pelas chuvas em estados do Sul e do Sudeste.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação exigiu mudanças operacionais, mas não comprometeu o resultado. Levantamento feito com dados públicos das urnas mostrou que os votos concluídos depois das 17h representaram 0,027% do total registrado no segundo turno.
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Resultado da eleição
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.
Rogério Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte e líder da oposição no Senado, coordenou a campanha nacional de Flávio. No estado, Lula obteve 65,72% dos votos válidos, contra 34,28% do candidato do PL.