O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou que não pretende retirar direitos da população LGBT caso seja eleito. Em conversa com o influenciador Rico Melquiades, divulgada na segunda-feira 19, o parlamentar negou que promoveria perseguição a pessoas homossexuais e defendeu a manutenção dos direitos relacionados à união estável.
Rico perguntou ao candidato se um eventual governo seu poderia perseguir gays ou retirar direitos dessa população. Na resposta, Flávio disse que a vida privada das pessoas não deve sofrer interferência do presidente da República.

“Eu tô preocupado em levar prosperidade pra todo mundo, respeitar todo mundo. O que a pessoa faz na sua intimidade ninguém tem nada a ver com isso. Muito menos o Presidente da República tem que se meter na intimidade, pelo amor de Deus”, declarou.
Ao ser questionado sobre a preservação de direitos de casais do mesmo sexo, o senador mencionou a divisão de patrimônio e a transmissão de herança.
“Pode ficar tranquilo. É consagrado o direito de união estável, pra dividir patrimônio, pra deixar herança. Isso aí ninguém mexe. Ninguém mexe. A lei tá valendo e vai continuar valendo”, afirmou.
Leia mais
- Debate da Band entre Lula e Flávio concentrou ataques sobre segurança, economia e corrupção
- Lula chama nível do debate de “muito baixo”; Flávio comemora desempenho
- Flávio e Lula divergem sobre gastos públicos, privatizações e jornada de trabalho
Segurança e economia entram na conversa
Em outro momento, Rico voltou ao assunto em tom de humor, perguntando sobre a liberdade sexual durante um eventual governo do candidato. Flávio respondeu que cada pessoa pode decidir sobre a própria vida e relacionou a responsabilidade do poder público à garantia de segurança.
O senador afirmou que sua obrigação seria assegurar que as pessoas pudessem circular sem sofrer assaltos. Também defendeu a redução de impostos e a recuperação do poder de compra, ao criticar a inflação e os preços dos alimentos nos supermercados.
A manifestação ocorre na reta final da disputa presidencial. Flávio enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para domingo 25 de outubro.
Os direitos mencionados na conversa têm respaldo em decisões do Judiciário. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em 2011, a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Desde 2013, a Resolução nº 175 do Conselho Nacional de Justiça proíbe que cartórios recusem a habilitação, a celebração do casamento civil ou a conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo.