*Última atualização às 20h16
Uma manifestação de bolsonaristas terminou em confronto com estudantes ligados à esquerda no fim da tarde desta segunda-feira 19, nas imediações do Centro de Tecnologia e do Setor de Aulas IV da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal. Imagens do episódio mostram troca de socos, chutes e empurrões de parte a parte.

Convocado para as 16h com o título “UFRN anti-Lula”, o ato entrou na universidade reunindo carro de som, faixas e o boneco inflável Pixuleco, que retrata o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidiário. Imagens nas redes sociais mostram o protesto no interior do câmpus.
Participaram do protesto o deputado federal General Girão (PL), a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL), o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, e Paula Castelo Branco, apontada como liderança do movimento Direita UFRN. A convocação publicada nas redes sociais criticava cortes orçamentários, condições da estrutura universitária e promessas não cumpridas por Lula para o ensino superior.
A mobilização dos manifestantes de direita provocou um contraprotesto de estudantes ligados à esquerda. Durante o confronto, houve pressão e empurrões junto ao portão do Setor IV, que apareceu danificado após o tumulto.
Henrique Neiva, estudante do 9º período de Jornalismo da UFRN, afirmou que foi agredido por integrantes do grupo bolsonarista e relatou que teve um dente quebrado. Também houve relato de outro jovem da esquerda com os óculos quebrados.
Versões divergentes
Fernando Neto, estudante de Engenharia Agronômica, afirmou que a confusão começou porque estudantes adeptos da esquerda tentaram impedir a manifestação bolsonarista, lançando pedras e cocos. Além disso, perfuraram o boneco inflável Pixuleco com uma faca. Segundo ele, a tentativa de fechar o portão agravou a tensão. “Aí o nosso pessoal não aceitou, obviamente, e saíram feridos dos dois lados”, afirmou.
Outra participante do movimento relatou uma tentativa de estudantes de atingir o deputado federal General Girão com uma pedra e disse que um assessor do parlamentar ficou com o braço machucado. Ela também alegou ter visto faca e arma de fogo. Girão aparece discutindo com estudantes em um vídeo divulgado nas redes sociais.
O professor de Serviço Social Henrique Wellen disse que dava aula quando o barulho da manifestação chamou a atenção. Ele relatou ter encontrado manifestantes com carro de som e boneco inflável dentro do campus. Segundo ele, havia xingamentos, provocações e tentativas de entrada à força na universidade.
“Em determinado momento, ambos se exaltaram e teve agressões, mas agressões pontuais, que a gente tentou evitar”, declarou. O docente afirmou que tentou mediar o conflito e que a vigilância universitária tinha efetivo insuficiente para controlar a situação.
Fiscalização eleitoral
Policiais do 5º Batalhão acompanharam uma equipe da Justiça Eleitoral ao local. Os participantes, porém, já tinham se dispersado quando a PM chegou. O ato foi denunciado pelo aplicativo Pardal por possível propaganda eleitoral irregular.
O artigo 37 da Lei das Eleições restringe a propaganda em bens públicos. Entretanto, a regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), resguarda a livre manifestação de ideias nas universidades. Assim, a presença de conteúdo político, isoladamente, não permite concluir pela irregularidade do evento.
Até o fechamento desta edição, nem o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) nem a UFRN haviam se manifestado oficialmente sobre o episódio.