O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) levantaram uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma caminhada de campanha nesta segunda-feira 28, no Centro de São Paulo.
A imagem foi entregue a Flávio por uma pessoa que participava do ato. Em seguida, o senador e o governador ergueram a santa diante dos apoiadores que acompanhavam a caminhada.

O gesto ocorreu em meio à repercussão de publicações nas redes sociais que associaram Flávio Bolsonaro e outros políticos de direita a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A associação faz referência ao Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta previa alterar a expressão “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e arquivado em 22 de agosto de 2008.
Não há, no projeto citado, autoria de Flávio Bolsonaro. A proposta também não está em tramitação atualmente. A discussão voltou às redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026, com publicações relacionando o candidato ao texto apresentado quase duas décadas atrás.
A repercussão chegou à Justiça Eleitoral. Na sexta-feira 25, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família à intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. A decisão alcançou conteúdos publicados em diferentes plataformas.
No domingo 27, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da decisão em relação a uma publicação do humorista Antonio Tabet e determinou o restabelecimento do conteúdo. Dino considerou, entre outros pontos, que a publicação não citava nominalmente Flávio Bolsonaro e apontou questões relacionadas à liberdade de expressão.
A campanha de Flávio Bolsonaro criticou a decisão de Dino. O candidato também afirmou que a associação entre ele e o projeto de 2007 era uma informação falsa.