O petróleo cedeu na quarta-feira 16, e o preço do diesel não acompanhou: o alívio veio pela metade. Para contornar os ataques à rota do Mar Vermelho, a Arábia Saudita passou a oferecer mais cargas por transferência entre navios ao largo de Omã. O Brent recuou 1,2%, a US$ 107,45. Já o WTI teve baixa de 1,85% e ficou valendo US$ 103,87.
Esfriou com a manobra o temor de um corte maior na oferta saudita. O aperto no mercado de diesel, porém, continua de pé. O combustível segue perto dos recordes na Europa, pressionado por três frentes: a perda de suprimento vindo do Oriente Médio, as refinarias russas com problemas e a perspectiva de que Moscou segure as exportações até o fim de outubro.

No centro da tensão segue o Estreito de Ormuz. Na terça-feira, só quatro embarcações foram identificadas cruzando a passagem; a média recente era de 18. Um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passava por aquele corredor antes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
A conta chega ao Brasil por três caminhos: câmbio, frete e preço dos derivados. Mesmo produzindo o próprio petróleo, o país compra e vende combustíveis num mercado internacional que continua caro e nervoso.
Baixou o barril, o risco não. Com a navegação comprimida e o conflito atingindo novas rotas, basta uma faísca para a pressão voltar às bombas, à inflação e ao custo do transporte.