A indústria de alimentos e o segmento de alimentação fora do lar do Rio Grande do Norte buscam na tecnologia, na qualificação profissional e na adaptação aos novos hábitos de consumo caminhos para elevar a produtividade e preservar as margens. Parte dessas mudanças estará em discussão no próximo dia 22, em Natal, durante o Negócios à Mesa – O Futuro da Alimentação, encontro promovido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN) em parceria com o Sindicato da Indústria da Panificação (Sindipan-RN), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
O evento será realizado a partir das 18h, na Agência Sebrae Grande Natal, com participação gratuita. A programação abordará sucessão empresarial, alimentação saudável e inclusiva, novos padrões de consumo, robotização e outras tecnologias aplicadas à produção. Empresários também apresentarão experiências adotadas nos próprios negócios.

A agenda ocorre em um momento de mudanças no mercado de trabalho. Na indústria de alimentos do RN, segmentos como panificação, sorvetes e laticínios registraram crescimento médio de 3,9% no emprego formal entre janeiro e novembro de 2025, segundo levantamento do Observatório da Indústria Mais RN, da Federação das Indústrias do Estado (Fiern). Algumas cadeias dão dimensão do impacto sobre a economia estadual. Apenas a indústria de laticínios possui 43 unidades inspecionadas no RN e emprega diretamente quase 800 trabalhadores. Em 2025, a produção estadual de leite alcançou pela primeira vez a marca de 1 milhão de litros por dia.
Segundo Ana Carolina Ribeiro, gestora de Alimentos e Bebidas do Sebrae-RN, o encontro pretende apresentar alternativas que já começam a modificar processos produtivos. “O evento terá palestras sobre panificação e tendências de alimentação saudável, além de um jantar voltado ao networking. O foco será inovação, saúde e também o uso de novas tecnologias, como robôs na indústria alimentícia. Queremos dar voz aos empresários e promover a troca de informações sobre boas práticas do setor”, afirma.
Uma das questões vem da robotização, que pode assumir diferentes funções, desde etapas repetitivas de produção até controle de estoque, padronização, atendimento e gestão. Para empresas intensivas em mão de obra, a tecnologia também surge como resposta à dificuldade de contratação.
O presidente do Sindipan-RN, Ivanaldo Maia, aponta o custo da mão de obra como uma das questões enfrentadas pelos empresários. “Acredito que esta oportunidade será valiosa para alinharmos as tendências do setor e promovermos o crescimento sustentável dos seus negócios”, afirma.
Um dos segmentos que receberá atenção específica é o de panificação. Durante o encontro será lançada a segunda edição da avaliação do pão francês produzido pelas padarias do Rio Grande do Norte. A iniciativa pretende analisar a qualidade do produto e fornecer informações que possam orientar melhorias nos processos das empresas.
O pão francês ocupa uma posição particular no negócio das padarias porque funciona como produto de consumo recorrente e ajuda a gerar fluxo diário de clientes. Ao mesmo tempo, as empresas vêm ampliando a oferta de refeições, confeitaria, cafés e produtos de maior valor agregado para diversificar as fontes de receita.
A discussão sobre alimentação saudável acrescenta outra frente. Mudanças de comportamento do consumidor ampliaram a procura por produtos com menor quantidade de açúcar, opções integrais e alimentos destinados a pessoas com restrições alimentares. O evento terá a participação de Lua Andrade, da Elas Vida Leve, e Lia Frota, da Padaria Frota Gourmet, que apresentarão experiências empresariais.
Também serão apresentadas as jornadas de capacitação Indústria + Saudável e Panificação em Foco, previstas entre as próximas ações direcionadas às empresas de alimentos do Estado.
O desempenho recente do emprego mostra por que produtividade e qualificação passaram a ocupar espaço na discussão. Mesmo em um ano de dificuldades para parte da indústria potiguar, alimentos mantiveram expansão de postos formais em 2025, com panificação, sorvetes e laticínios entre os segmentos que avançaram.
A dificuldade não está restrita ao RN. Pesquisa da Abrasel mostrou que 90% dos empresários brasileiros consultados consideravam difícil ou muito difícil contratar. A falta de profissionais qualificados foi mencionada por 64%, enquanto 61% apontaram escassez de interessados nas vagas.