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Juros

Em última reunião antes da eleição, Copom reduz Selic a 13,75% ao ano

Quinto corte consecutivo de 0,25 ponto leva a taxa básica ao menor patamar desde março de 2025; Banco Central não antecipa próximos passos
Agora RN
16/09/2026 | 22:50

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira 16, por unanimidade, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual e a última decisão sobre juros antes das eleições presidenciais.

Com a medida, a taxa básica acumula queda de 1,25 ponto percentual desde março e alcança o menor patamar desde o mesmo mês de 2025. A decisão confirmou a expectativa do mercado: todos os 33 analistas consultados pela Bloomberg projetavam uma redução de 0,25 ponto.

Homem de terno azul e gravata fala gesticulando com a mão direita diante de microfone
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; Copom cortou a Selic para 13,75% na última reunião antes da eleição — Lula Marques/Agência Brasil

O Copom não antecipou os próximos movimentos. Segundo o colegiado, a extensão do ciclo de cortes será definida “à luz de novas informações”, com o objetivo de conduzir a inflação à meta de 3%. O comitê também defendeu “serenidade e cautela” diante das expectativas ainda distantes do alvo e dos riscos elevados para os preços.

O cenário interno apresentou sinais favoráveis à redução dos juros. O IPCA desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, enquanto a atividade econômica registrou “moderação gradual”, embora o mercado de trabalho permaneça aquecido. O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre, depois de avançar 1,1% nos três primeiros meses do ano.

Apesar da melhora, o Banco Central elevou sua projeção de inflação de 5,1% para 5,2% em 2026 e de 3,8% para 3,9% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, a estimativa permaneceu em 3,2%. Entre os fatores de risco estão a situação fiscal, eventuais estímulos ao consumo, o El Niño, as restrições na oferta de petróleo e a persistência da inflação de serviços.

No cenário externo, Brasil e Estados Unidos adotaram movimentos opostos. O Federal Reserve elevou os juros norte-americanos em 0,25 ponto, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A diferença entre as taxas dos dois países caiu para 9,75 pontos percentuais, movimento que pode pressionar o câmbio e reduzir a atratividade dos investimentos no Brasil.

O Copom também apontou incertezas relacionadas à política monetária das economias avançadas e à guerra no Irã. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmou.

A próxima reunião do comitê ocorrerá nos dias 3 e 4 de novembro, depois da definição das eleições presidenciais. Das oito reuniões previstas neste ano, seis foram realizadas sem a participação de dois diretores do Banco Central.