BUSCAR
BUSCAR
Supremo

Dino pede vista, e STF adia decisão sobre abertura de investigação contra Moraes

Ministros divergiram sobre julgar juntos os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça; placar provisório ficou em 4 a 3 pela análise separada
Agora RN
15/09/2026 | 22:29

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu nesta terça-feira 15 o julgamento sobre a possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. A interrupção veio depois de Flávio Dino pedir vista do processo, ou seja, mais tempo para analisá-lo, numa sessão que durou o dia inteiro e foi marcada por divergências e discussões acaloradas entre os ministros.

O caso tem origem em relatório da Polícia Federal que apontou Moraes como interlocutor do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Antes de examinar o conteúdo do documento, o plenário passou a discutir se o procedimento deveria ser analisado junto com outro relatório, sobre supostas irregularidades atribuídas ao ministro André Mendonça.

Ministros sentados na bancada do plenário do Supremo Tribunal Federal durante sessão
Sessão desta terça-feira no plenário do STF foi marcada por tensão e bate-boca entre ministros; Dino tem 90 dias para devolver o caso — Gustavo Moreno/STF

O julgamento da situação de Mendonça está previsto para o dia 23. Gilmar Mendes, no entanto, apresentou uma questão de ordem para reunir os dois casos. Moraes e Cristiano Zanin acompanharam a proposta. Dino também indicou posição favorável à análise simultânea, mas seu voto não foi contabilizado antes do pedido de vista.

No placar provisório anunciado por Fachin, quatro ministros se manifestaram contra a reunião dos processos e três votaram a favor. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam julgamentos separados. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin apoiaram a análise conjunta.

Quando o caso voltar ao plenário, haverá empate de 4 a 4 na questão de ordem proposta por Gilmar Mendes. Na avaliação do professor Oscar Vilhena Vieira, diretor da FGV Direito SP, se o empate se confirmar a sugestão do decano fica prejudicada, e prevalece a decisão de Fachin de dividir os casos.

“O empate significa que o encaminhamento não foi derrubado. Fachin não precisa dar voto de qualidade para desempatar”, disse o jurista em entrevista ao jornal O Globo. “Se não há uma maioria em contrário, o ato está mantido. Isso se aprende no primeiro semestre de Direito Administrativo”, acrescentou.

Dino poderá manter o processo suspenso por até 90 dias. Durante a sessão, ele questionou a condução do caso e lembrou que o relatório sobre Moraes foi produzido por determinação de Mendonça, então relator da investigação envolvendo o Banco Master. Depois, Fachin afastou Mendonça da relatoria e assumiu o procedimento.

“Houve um sacrifício dos ritos, sacrifício das formas, sacrifício do devido processo legal. Se você não tem rito, você tem dois pesos e duas medidas, que é a negação da Justiça”, afirmou Dino.

Moraes sustentou que os relatórios relacionados a ele e a Mendonça têm elementos comuns. “Não há razão para que a instrução e o julgamento não sejam conjuntos. As delegações são bases fáticas e probatórias comuns, se sobrepõem, porque uma anula a outra, uma afasta a outra”, declarou.

Gilmar já havia sugerido o adiamento. Em ofício enviado a Fachin na sexta-feira 11, o decano afirmou ter dúvidas sobre a maturidade do caso para julgamento e propôs que os dois relatórios fossem examinados juntos em outra data.

Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não votaram. Toffoli declarou-se suspeito por já ter se afastado dos processos envolvendo o Banco Master, depois da divulgação de ligações de familiares com um fundo de investimentos da instituição.

Kassio se declarou impedido e deixou o plenário. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele alegou preocupação com os efeitos do julgamento sobre sua atuação nas eleições. “Eu entendo que essa missão é mais importante, que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026”, afirmou.

A Corte está com 10 ministros desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga, mas a indicação foi vetada pelo Senado em 29 de abril. Lula não enviou outro nome para análise.