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Flávio lidera arrecadação eleitoral

Lula aparece em segundo lugar, com R$ 35,9 milhões; fundos públicos concentram a maior parte dos recursos recebidos pelas duas campanhas
Agora RN
09/09/2026 | 23:18

O senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a arrecadação entre os principais candidatos à Presidência da República, com R$ 44,3 milhões recebidos até agora. Lula (PT) ocupa a segunda posição, com R$ 35,9 milhões. Os dados foram consultados na noite desta quarta-feira 9 no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com R$ 6,6 milhões; Romeu Zema (Novo), com R$ 3,4 milhões; Renan Santos (Missão), com R$ 1,3 milhão; e Augusto Cury (Avante), com R$ 317 mil. No caso do escritor, 78% do total, ou R$ 250 mil, foram aportados por ele próprio.

Senador Flávio Bolsonaro de paletó azul durante reunião
Senador Flávio Bolsonaro — AGÊNCIA SENADO

A maior parte do dinheiro das campanhas de Flávio e Lula veio de recursos públicos administrados pelos partidos. Dos R$ 44,3 milhões recebidos pelo senador, R$ 42 milhões foram transferidos pelo PL por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Na candidatura petista, R$ 35 milhões, equivalentes a 97% do total, saíram do mesmo fundo, enquanto outros R$ 150 mil foram repassados pelo Fundo Partidário.

Os dois candidatos também receberam R$ 500 mil cada do empresário Erasmo Carlos Battistella, fundador e CEO da produtora de biodiesel Be8 e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República. A empresa, com unidades no Brasil, Paraguai e Suíça, informou faturamento de R$ 10 bilhões em 2025. Segundo a assessoria do empresário, as contribuições foram feitas como pessoa física e respeitam os limites da legislação eleitoral.

Flávio recebeu ainda R$ 500 mil de Fernando de Castro Marques, CEO da União Química Farmacêutica. Outro aporte foi feito por Ângelo Calmon de Sá, ex-ministro da Indústria e do Comércio no governo Ernesto Geisel, que destinou R$ 400 mil à direção nacional do PL, e não diretamente à campanha presidencial.

Ex-presidente do Banco Econômico, Calmon de Sá esteve à frente da instituição quando o Banco Central decretou intervenção, em 1995, e posteriormente sua liquidação. O caso revelou a chamada “pasta rosa”, com registros de doações eleitorais realizadas pelo banco em 1990. Em 2007, o ex-banqueiro foi condenado a 13 anos de prisão, mas não há registros do cumprimento da pena.

Lula usa chapéu e fala ao microfone
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — RICARDO STUCKERT / PR

Além das transferências partidárias e da doação de Battistella, Lula recebeu R$ 115 mil por financiamento coletivo. Entre os principais contribuintes individuais estão o diretor da Transpetro Jones Alexandre Barros Soares e a doutoranda em enfermagem Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães, com R$ 40 mil cada.

O petista também recebeu R$ 17 mil do ex-diretor da Petros Fernando Paes de Carvalho e outros R$ 17 mil do ex-deputado federal Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira. O professor da Fundação Getulio Vargas Rabih Nasser e o sindicalista da Petrobras José Genivaldo da Silva contribuíram com R$ 15 mil cada.

Terceiro colocado na arrecadação, Ronaldo Caiado obteve cerca de 62% dos R$ 6,6 milhões por meio de doações ao PSD. A maior contribuição individual foi de R$ 2,3 milhões, feita por Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, proprietário do fundo Polaris, da CH Empreendimentos Imobiliários e de um cartório em Taguatinga, no Distrito Federal.

Dos R$ 3,4 milhões arrecadados por Romeu Zema, R$ 3 milhões vieram do Fundo Partidário. Guilherme Vidigal Andrade Gonçalves, conselheiro da Nitro e da Globo Pharma, repassou R$ 100 mil à direção nacional do Novo. Os irmãos Salo e Helio Seibel doaram R$ 50 mil cada à candidatura.

Renan Santos arrecadou R$ 1,3 milhão, quase todo proveniente de apoiadores. Mais de 90% do valor foi obtido por financiamento coletivo.

Augusto Cury financiou R$ 250 mil dos R$ 317 mil recebidos por sua própria campanha. O Avante repassou R$ 50 mil do Fundo Eleitoral, enquanto aproximadamente 5% do total vieram de pessoas físicas.

O prazo para a apresentação da prestação parcial de contas à Justiça Eleitoral começou nesta quarta e termina no domingo 13. As campanhas podem continuar arrecadando até o dia da eleição.