Uma das doenças que mais matam no Brasil segue quase invisível para quem vive nele. Só 10% da população diz conhecer, ou ao menos ter ouvido falar, da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica — a DPOC. O dado está em pesquisa inédita que o Datafolha realizou em parceria com a farmacêutica GSK. Cobrada precisão, a ignorância se aprofunda: apenas 3% souberam dizer o que a sigla quer dizer.
Trata-se de uma condição que ataca principalmente o pulmão e vai tornando a respiração mais difícil. Entre os fatores que mais se associam ao seu aparecimento está o cigarro — e não só ele: a exposição inclui os demais produtos feitos para o consumo de tabaco.

O tamanho do estrago não guarda proporção com o pouco que se sabe dela. Os números do Ministério da Saúde colocam a DPOC como quinta principal causa de morte no País, considerando pessoas de todas as idades. Ao longo das últimas décadas, ela também esteve entre as cinco que mais levaram gente a internar pelo Sistema Único de Saúde na faixa acima dos 40 anos.
Não saber sai caro em tempo. Pelo que mostra o levantamento, 42% dos pacientes com DPOC levaram mais de três anos entre notar o primeiro sinal e ter a doença confirmada.
Entre os sintomas que podem estar ligados à doença, o primeiro é a falta de ar. Com as vias respiratórias inflamadas e estreitadas, o ar passa com dificuldade, e a pessoa fica ofegante ou sente que não consegue respirar direito — sobretudo ao executar certas atividades.
Vem depois a tosse que não passa, acompanhada de secreção. Esse muco pode ser espesso e ter cor amarelada ou esverdeada, e sai nos episódios de tosse. E há o chiado no peito, aquele som que lembra um assobio na hora de respirar.
Nada disso, tomado isoladamente, quer dizer DPOC — são sinais que aparecem em vários problemas respiratórios. Mas, quando persistem, exigem avaliação de um profissional de saúde. A recomendação pesa mais para quem fumou ou passou muito tempo exposto a agentes que agridem o pulmão.
A pesquisa mostra que desconforto para respirar é rotina no País: 92% dos entrevistados disseram ter sentido ao menos um sintoma nos doze meses anteriores à pesquisa. Só que boa parte da população trata isso como preço natural da idade ou do cigarro. Para 57%, é normal ficar sem ar à medida que se envelhece. Igual percentual enxerga tosse frequente como efeito esperado de quem fuma.
A contradição fica clara na hora de decidir se procura médico. São 92% os que concordam que anos de cigarro cobram um preço respiratório — mas 62% acham que tosse ou falta de ar só merecem consulta quando já atrapalham o que a pessoa precisa fazer no dia.
Junte-se sintoma frequente à tendência de naturalizá-lo e se entende por que tanta gente demora anos até o diagnóstico. No caso da DPOC, notar que a respiração mudou e não voltou ao normal pode encurtar o caminho até o atendimento e permitir que a causa seja investigada.
Quanto à prevenção, o caminho central é reduzir a exposição ao tabaco. Não fumar, e fugir da fumaça alheia, está entre as medidas mais eficazes contra a doença respiratória. Exercício físico com regularidade e alimentação equilibrada completam o cuidado geral com a saúde.
Sobre a metodologia: o Datafolha entrevistou 2.004 pessoas a partir dos 16 anos, em todas as regiões brasileiras. A margem de erro estimada é de dois pontos, para cima ou para baixo, com 95% de nível de confiança.
Houve ainda um segundo módulo, de outra natureza: uma amostra intencional de 213 pacientes que já tinham diagnóstico de asma, de DPOC ou de rinossinusite crônica com pólipos nasais, ouvidos em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Salvador. Como se dirigiu a quem já sabe do próprio diagnóstico, e como a escolha foi intencional, essa etapa cumpre finalidade diferente da parte representativa da população — serviu para mapear a jornada de cuidados desses pacientes.