O candidato Allyson Bezerra (União) tirou da mesa a hipótese de vender a Caern — a companhia estadual de águas e esgotos — caso vença a eleição para o Governo do Rio Grande do Norte. O ex-prefeito de Mossoró diz que pretende manter a companhia sob controle do Estado, com gestão melhor e mais fôlego tanto para investir quanto para ampliar o atendimento prestado à população.
“Não está no nosso plano de governo, de gestão, privatizar a Caern. Não está. O que está é transformá-la em uma empresa eficiente”, declarou o candidato ao Governo do Estado.

Na leitura do candidato, a companhia tem quadro qualificado e condições de entregar resultado melhor, tanto financeiro quanto operacional — o que dispensaria, no argumento dele, qualquer venda. Ele fez questão de registrar que a empresa não opera no vermelho: “Na verdade, a Caern já está dando lucro ao Estado. É importante deixar isso claro.”
O desafio, na formulação dele, é fazer duas coisas andarem juntas: a saúde financeira da empresa e a ampliação, com regularidade, do serviço de abastecimento. “A gente tem condições de fazer com que a Caern dê muito mais lucro ao Estado e consiga atender o seu interesse social, que é o quê? Levar água”, afirmou.
Onde falta água
Para justificar por que a gestão precisa mudar, Allyson recorreu ao interior do estado. Citou três municípios em que a torneira fica seca por períodos longos: Santa Cruz, São Miguel e Upanema.
“Não tem como se admitir que a cidade de Santa Cruz, embora tenha uma gestão própria de água, mas falta água lá. E falta, sim. Não é um dia, uma semana, não. É 30, 40, 50 dias”, declarou. E emendou, ampliando a lista: “Falta água lá em São Miguel, falta água lá em Upanema e falta água em diversas cidades do Estado.”
PPP para o que o Estado não consegue bancar
Recusar a venda da Caern não significa, no discurso dele, recusar capital privado em toda a linha. O candidato defendeu parcerias público-privadas como caminho para recuperar ou modernizar estrutura que o Governo não tenha dinheiro para tocar sozinho.
O exemplo que ele usa é de casa: o arranjo que a Prefeitura de Mossoró montou para a Arena Nogueirão. Segundo Allyson, o município não dispunha dos recursos para reconstruir o equipamento e resolveu entregar o projeto à iniciativa privada — sem, contudo, transferir em definitivo a propriedade da área.
“A Prefeitura não tem condições de fazer uma obra desse esporte. Então, nós cuidamos de fazer uma parceria público-privada para que a gente pudesse colocar uma grande área, de 40 mil metros quadrados, à disposição da iniciativa privada, que iria construir o estádio, e esse estádio continuaria sendo do município”, explicou.
Pelo que ele descreveu, a empresa que vencer a licitação terá de erguer um estádio para 15 mil torcedores sentados e mais três equipamentos: um shopping, um centro de convenções e um prédio administrativo que ficará com o Município. “A Prefeitura não vai gastar nenhum real”, afirmou.
O candidato afirmou que pretende avaliar a adoção de modelos parecidos já no Governo do Estado, caso a caso, conforme as características de cada patrimônio e a viabilidade de atrair participação privada. “Vai ter alguns ativos do Estado que a gente vai ter condições de fazer isso também. Modernizar”, declarou.