O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, encaminhou sua permanência no comando da principal entidade representativa da indústria potiguar por mais quatro anos. Encerrado o prazo de inscrições, apenas uma chapa foi registrada para a eleição da Federação, marcada para 12 de novembro. O novo mandato terá início em 31 de outubro de 2027 e seguirá até 30 de outubro de 2031, conforme aviso da Comissão Eleitoral.
A ausência de uma candidatura concorrente reduz a eleição a uma etapa de formalização da escolha do próximo comando da entidade e sinaliza a manutenção do entendimento entre os sindicatos que integram a Fiern. O cenário repete, em parte, o processo que levou Serquiz à presidência pela primeira vez. Em novembro de 2022, ele também encabeçou chapa única e recebeu todos os votos válidos dos representantes dos 30 sindicatos filiados à Fiern.

A composição registrada para o próximo mandato preserva boa parte do núcleo que assumiu a Fiern em 2023, mas faz alterações em posições da diretoria. Francisco Vilmar Pereira permanece como primeiro vice-presidente. Continuam entre os vice-presidentes Edilson Batista da Trindade, Ednaldo Mendonça Barreto, Pedro Augusto da Escóssia Chaves, Sílvio Torquato Fernandes, Maria da Conceição Rebouças Duarte Tavares e Marcelo Caetano Rosado Maia Batista.
A principal novidade nesse grupo é Sérgio Henrique Andrade de Azevedo, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN). Sua entrada ocorre em um momento de ampliação da participação institucional do dirigente no setor. Em agosto, Sérgio Azevedo assumiu uma das vice-presidências da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para o triênio 2026-2029. Antes disso, havia integrado o Conselho de Administração da entidade nacional como suplente.
A presença do presidente do Sinduscon-RN entre os vice-presidentes amplia formalmente o espaço da construção civil no primeiro escalão da Fiern. Azevedo já vinha participando das articulações institucionais da Fiern. Em agosto, por exemplo, integrou uma reunião entre a Federação e a Assembleia Legislativa para discutir propostas relacionadas à infraestrutura, ambiente regulatório, competitividade e desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte.
Outra alteração ocorre na secretaria. Pedro Alcântara Rêgo de Lima passa de suplente da diretoria, posição que ocupa no mandato atual, para primeiro secretário. Empresário ligado ao Grupo 3corações, Pedro Lima já participou de agendas da Fiern e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e recebeu, em 2019, a Ordem do Mérito Industrial da CNI.
O atual primeiro secretário, Heyder de Almeida Dantas, deixa a diretoria efetiva. Na chapa para 2027-2031, aparece como suplente da delegação representativa da Fiern junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao lado de Sílvio de Araújo Bezerra. Os titulares da representação na CNI continuam sendo Roberto Serquiz e o ex-presidente da Federação Amaro Sales de Araújo.
Também deixa o grupo de vice-presidentes Gabriel Calzavara de Araújo, que integra a atual administração. Etelvino Patrício de Medeiros permanece como segundo secretário. Na área financeira, Djalma Barbosa da Cunha Júnior passa a primeiro tesoureiro e Airton Paulo Torres assume como segundo tesoureiro. A chapa tem ainda 13 suplentes para a diretoria.
Continuidade preserva agenda iniciada em 2023
A provável recondução prolongará até 2031 um ciclo iniciado formalmente em outubro de 2023. Serquiz assumiu a Fiern sucedendo Amaro Sales e estabeleceu como linhas de atuação a formulação de uma política industrial para o Estado, o desenvolvimento sindical, o fortalecimento dos conselhos e comissões temáticas, a agenda legislativa e a atuação do Observatório da Indústria Mais RN, além da integração entre Fiern, Sesi, Senai e IEL.
Desde o início do mandato, Serquiz tem colocado a competitividade do Rio Grande do Norte e a interlocução do setor produtivo com o poder público entre as prioridades da Federação. Na posse, em 2023, defendeu uma aliança entre governo, poderes, sociedade e iniciativa privada para melhorar as condições de desenvolvimento econômico do Estado.
A agenda continua presente nas ações recentes. Em agosto deste ano, a Fiern apresentou à Assembleia Legislativa propostas relacionadas ao desenvolvimento econômico, com iniciativas nas áreas de infraestrutura e regulação. Na ocasião, Serquiz afirmou que o aproveitamento das riquezas do Estado depende do fortalecimento da atividade industrial.
A atuação também passou por uma aproximação com os municípios. Em março, ao participar de evento da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Serquiz afirmou que a Fiern havia ampliado a relação com as administrações municipais durante os primeiros dois anos e quatro meses de sua gestão, inclusive em temas como descentralização do licenciamento ambiental.
A chapa única indica que esse conjunto de diretrizes deverá atravessar a mudança de mandato sem ruptura no comando. A composição mantém dirigentes da gestão atual, ao mesmo tempo que redistribui posições entre representantes dos diferentes segmentos industriais.
Eleição será realizada somente em 12 de novembro
Apesar de a existência de uma única chapa encaminhar politicamente a recondução, o processo eleitoral ainda precisa cumprir as etapas previstas no regulamento da Fiern. O pleito está marcado para 12 de novembro de 2026 e definirá, além da diretoria, os integrantes do Conselho Fiscal e os representantes da Federação junto à CNI para o período de 2027 a 2031.
O Conselho Fiscal terá como titulares Ivanaldo Maia de Oliveira, Jaedson Dantas e Gustavo Henrique Calafange Motta. Os suplentes serão Tennyson Brito Holder da Silva, Euzébio de Assis Torres Júnior e Eduardo Abbott Galvão Serejo.
O aviso de registro da chapa foi assinado pela presidenta da Comissão Eleitoral, Gabriella de Melo Souza Rodrigues Rebouças, e pelas integrantes Maria da Conceição de Miranda e Caroline Ferreira de Oliveira. O documento informa que o processo eleitoral havia sido convocado por edital cujo aviso resumido foi publicado em 11 de agosto no Diário Oficial do Estado e nos principais meios de comunicação do Estado.
O calendário ainda prevê prazo para eventuais impugnações de candidaturas. Os questionamentos podem ser apresentados durante cinco dias consecutivos a partir da publicação do aviso, com encerramento em 14 de setembro. A impugnação deve ser feita por escrito, identificar o candidato questionado, apontar o dispositivo que teria sido violado e apresentar as respectivas provas.
Superada essa fase e mantida a chapa única, a votação de novembro deverá confirmar a continuidade de Roberto Serquiz à frente da Fiern. Caso eleito, ele chegará ao fim do segundo mandato, em outubro de 2031, depois de oito anos consecutivos na presidência. O desenho da chapa indica que a próxima administração deverá combinar a preservação da estrutura política construída desde 2023 com a incorporação de novas lideranças a postos de maior influência dentro da Federação.