A União Europeia fechou a porta, na quinta-feira 3, para os produtos brasileiros de origem animal. O veto atinge um fluxo de exportação que gira em torno de US$ 1,84 bilhão por ano, puxado por carne bovina e por frango, e inaugura mais um foco de atrito comercial para o Brasil.
O que o bloco exige é garantia oficial de que a produção nacional não recorre a antimicrobianos que as regras comunitárias proíbem. A decisão, convém registrar, não partiu de nenhum achado de substância irregular na carne embarcada: o que pesou foi a leitura, feita em Bruxelas, de que os controles brasileiros ainda não bastam.

Os números do Ministério da Agricultura ajudam a medir o tamanho do prejuízo potencial. Em 2025, coube à carne bovina US$ 1,05 bilhão do que agora ficou barrado; ao frango, US$ 763 milhões. Entre os compradores mais relevantes desses produtos aparecem Itália, Países Baixos, Espanha e Alemanha.
Brasília reagiu com aviso. Em manifestação assinada em conjunto pelos ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores, o governo brasileiro avisou que pode partir para medidas recíprocas caso a negociação para derrubar a barreira não chegue a um resultado satisfatório. O tom subiu, mas a conversa com a Comissão Europeia não foi interrompida.
Há uma peça técnica ainda em aberto. Uma missão europeia concluiu na sexta-feira 4 uma inspeção nos sistemas de produção de aves e de mel do Brasil. Os técnicos ainda vão redigir o relatório, e não há decisão à vista no curto prazo. O setor de frango conta com um desfecho mais rápido; a pecuária, por sua vez, terá pela frente um caminho de comprovação mais longo.