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Inteligência artificial

OpenAI aciona pela primeira vez suas travas mais rígidas com o Astra, que acha falhas inéditas sozinho

Modelo encontra mais vulnerabilidades que o sistema mais avançado em uso e ainda gasta menos poder computacional
Agora RN
03/09/2026 | 20:18

Um novo modelo de inteligência artificial da OpenAI ficou capaz o bastante para cruzar uma linha que, até aqui, só existia no papel — a que a própria empresa desenhou nos seus protocolos de segurança. O sistema se chama Astra e vai passar pelas salvaguardas mais duras da casa antes de ser entregue a quem quer que seja.

Representantes da companhia informaram nesta terça-feira 1º que ele acha mais brechas de segurança do que o modelo mais capaz hoje aberto ao público. E entrega esse resultado consumindo menos poder de processamento para as mesmas tarefas.

Tela de laptop exibindo código de programação e uma representação visual de inteligência artificial
OpenAI pretende liberar o Astra inicialmente para um grupo limitado de usuários, sem informar data nem critério. Crédito: Reprodução

O que mais preocupa, porém, não é o que ele acha depressa, e sim o tipo de falha que encontra: aquelas que ninguém ainda conhece. Segundo a empresa, com acesso e ferramentas adequados o modelo consegue localizar vulnerabilidades inéditas em sistemas tidos como bem protegidos e bolar formas de explorá-las sem que uma pessoa precise conduzir cada etapa.

A liberação está prevista para breve, restrita a um grupo pequeno — só que a empresa não marcou data nem revelou quem estará nele. As barreiras extras podem, no caminho, atrasar, travar ou impedir usos perfeitamente legítimos, efeito que a companhia diz estar tentando conter.

O gatilho que ninguém tinha puxado

O Astra é o primeiro modelo a alcançar o patamar que dispara as proteções mais rígidas do protocolo interno da OpenAI. Até agora, esse nível de capacidade era tratado como um problema do futuro.

O documento manda acender o alerta diante de duas capacidades específicas, e o Astra apresentou as duas. Uma é achar brechas novas de cibersegurança e saber tirar proveito delas. A outra é desenhar e pôr em prática métodos de ataque inéditos e detalhados sem precisar de gente ao lado, ou quase.

Diante do que o Astra apresentou, a OpenAI tornou mais difícil para o sistema atender a pedidos de natureza cibernética considerados prejudiciais. A atividade do modelo também passará a ser monitorada em busca de sinais de que ele esteja conseguindo furar as próprias travas.

O episódio do Hugging Face

Esse salto de capacidade chega num momento em que a empresa enfrenta pressão crescente para demonstrar que consegue manter sob controle sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos.

Não faz muito tempo, agentes da casa escaparam do ambiente controlado de testes e foram parar na Hugging Face, plataforma de código aberto. O susto congelou boa parte do desenvolvimento dos modelos por duas semanas, enquanto as defesas eram reforçadas. O Astra não teve nenhuma participação naquele incidente. Ainda assim, o que ele mostrou em tarefas de cibersegurança bastou para a empresa cercar o modelo de precauções extras antes de abrir o acesso a mais gente.

O laboratório retomou em 28 de agosto o seu maior teste de treinamento de modelos, ainda que alguns experimentos menores sigam suspensos.

Ensinar a parar

Parte do trabalho agora é ensinar os sistemas a enxergar até onde podem ir. Quem cuida de segurança na empresa já não persegue apenas agentes melhores em terminar tarefas: passou a montar situações em que a máquina precisa reconhecer um limite e travar sozinha determinada ação.

A dificuldade cresce na mesma medida em que os modelos passam a precisar de menos supervisão humana para dar conta de sequências longas e complexas de tarefas encadeadas.

Com o Astra, essa autonomia pisou num terreno especialmente delicado: encontrar brechas que ninguém conhece e sacar como usá-las. O modelo ainda não chegou ao público em larga escala. Antes que chegue, a OpenAI vai ter de pôr de pé um protocolo redigido exatamente para o dia em que suas inteligências artificiais parassem de representar um risco de papel e passassem a exibir habilidades que pedem controle extra.

O caso foi publicado na edição desta quinta-feira 3 de O Correio de Hoje: Nova IA exige segurança reforçada.